quarta-feira, 3 de março de 2010

Meu umbigo

Meu umbigo nem é tão lindo assim, mas ando numa fase, sei lá...só falta mesmo me virar pelo avesso. Mas tem explicação. Eu acho. Um bocado de tempo tomando conta do tempo, o amor em conta-gotas, eu olhando só pra fora, esquecida de ser quem eu ia sendo. Pois bem. Ou não, como diria Gil. Eu fui feliz, mas não tenho muita certeza se eu era eu. Dá pra entender? Eu dei. E resolveu. Assim, lá vai mais um post autodescritivo que devia estar mesmo era no somiolodepote, mas regra é regra...

É melhor morrer de vodka do que morrer de tédio, disse Maiakovski. Ainda bem. Já tentei e tentei ser blasé, mas sou mesmo é uma deslumbrada. Este é meu perfil quando me vejo assim: cara a cara comigo mesmo. Ou seja, meio de lado. Somos mosaicos, eu sei. Mas as rachaduras são sempre tão evidentes? Em mim, sim. Eu sou assim: tagarela, riso frouxo, desajeitada. Ando esbarrando. Mesmo. Leio furiosamente. Amo desvairadamente. E tento comer devagar. Sei lá, pra compensar, talvez. Adoro esporte. Assistir, claro. Jogar, jogar mesmo, é baralho. Ou sinuca. Ou, num rasgo de disposição, porrinha. Tem gente que tem a cabeça no mundo da lua. Eu não. Quando vou lá, vou toda. Sou questionadora, mas aceito qualquer resposta. Só não, não. Aí demoro mais. Descobri recentemente que meu nome devia ser Elsa. Ou louca. Ou trator. Mas vou ficar com o de sempre que já me acostumei. Adoro televisão. Não assisto tanto, mas deixo ligada quase sempre. Se der sorte, tá passando um filme. Adoro filme. Adoro, ainda mais, o escurinho do cinema. Gosto de filme velho, quase cheirando a naftalina. Mulheres chamadas Gilda, homens que sabem demais, os maiores espetáculos da terra. Dos manda-chuva gosto dos óbvios Fellini e Hitchcock. E os menos unânimes: Billy Wilder, John Houston, Coppola, Almodóvar, John Ford. Uffa! E reverência sempre a Woody Allen. Não me canso de seguir sua mente neurótica e suas realizações brilhantes. Quando um de nós dois morrer, eu vou pra Paris! Ele disse, eu ri e fiz. Simples assim. Sou mulher de cama, mesa e banho. E forno. E fogão. Mas tenho horror a tanque. E à faxina. Sushi, paella, comida indiana...adoro e, claro, não sei fazer. Um dia aprendo. Ou não, porque tenho paixão por restaurante. Também adoro quase tudo que termina em ada: feijoada, panelada, palhaçada – se for de palhaço mesmo e não de ex-namorado. Depois da última viagem, fiquei hiperbólica. Queridíssimo, belíssimo, chatíssima. Digo seguidamente bobagens e inventei a origem do nome Patagônia. Se eu ganhasse na Mega Sena (bom, primeiro teria que jogar, mas aí já é outra história) eu seguiria viagem. Pra todo canto. Cigana, de alma e alma (assim mesmo). Bebo cerveja, bebo vinho e, depois das músicas italianas, bebo sonhos. De preferência na companhia de amigos, que tenho a graça de ter uma ruma e todos de primeira qualidade. Os que visito já, já: Um é médico do meu coração e o outro mantém relações públicas e privadas com minhas emoções. Tenho amigas do tempo que eu andava só de calcinha na rua e fiz amigas quase ontem, mas que já se tornaram das melhores. Aspecto físico? Língua afiada. Desvio no olho o que me torna inspiração pra música do Chico. Gesticulo muito, isso devia me garantir cidadania italiana. Uma voz que não sai, mas a menina com uma flor do Vinícius também. Gosto de fazer passeios: pegar o ônibus e dar a volta na cidade, olhar prateleiras do supermercado, viajar de balão. Bom, esse último nunca fiz, assim, pessoalmente, mas às vezes filme vale, né? Agrada-me envelhecer, uma vez ouvi e achei lindo que as marcas do rosto eram como um mapa da vida. Puxa, quero um mapa bem detalhado porque sou meio perdida. Tenho certeza de que sou como vinho, porque o tempo tem me ajudado pra caramba. Tenho religião, não tenho é tempo. E tenho boas desculpas. Quase sempre. Minha família é um espetáculo, podem prestar atenção: sou eu aplaudindo. Diversão garantida. Não vou nem falar dos fofos que são meu pai e mãe. Tenho uma irmã que administra o mundo, um irmão gênio e a outra que tem um GPS, um computador e uma calculadora na cabeça. E todos são gente fina. E olhe que eu nem sou de ficar me gabando. Muito. Quando criança eu era o cão chupando manga de danada, mas eu não lembro então não conta. Pra todos os efeitos, sempre fui assim: calma. Até que alguém comece uma discussão qualquer. Aí não sou mais. Gasolina? Pólvora? Presente. Gosto de fazer o que eu gosto. No mais, preguiçosa. Pouca culpa, poucas manias. Chorona assumida em quase todo tipo de filme, peça, show, pode é elencar. Tem um bocado de coisas de que não entendo nada: tecnologia, beisebol, fotografia, nova ortografia. Tem um bocado de coisas que gosto: cheiro de livro novo, andar descalça, banho de chuva, dormir de rede. E o mar. Perto de muita água tudo é feliz, já anunciava Guimarães Rosa e Bethania repetia. Amém.

3 comentários:

Aline disse...

Lu, eu li.
E tive que tomar fôlego mais de uma vez. É o que vc faz com as pessoas!

Dani disse...

é por isso que não te deixam postar mais de uma vez.. rsrsrs
Como eu vou ter coragem de escrever?
Você é linda, mais que demais...

Lica disse...

Viu? bem que eu disse que você só podia ter 1 post... kkkk Se bem que esse merece ir pra lá... vamos confabular!

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