quarta-feira, 17 de março de 2010

Matando Leões


para meu amigo L.
matador de leões e estapeador de muriçocas


A vida está pela hora da morte, hahaha. Piada? Não mesmo. Alguém lembra do tempo em que o tempo das 24 horas de um dia corriam em um ritmo muito mais lento? Eu lembro. Eu tinha tempo pra tudo e mais um pouco. Podia ver meus amigos, ler livros, assistia uns dois filmes por dia, estudava, estagiava, fazia e acontecia. Juro. Ainda participava de grupos de jovem e cantava em coral. E viajava com a família. E namorava. Namorava muito, que eu era metida a sem-vergonha.E hoje? Faço tudo isso, porque comer, beber e trepar ainda são essenciais, mas me esforço pra burro pra dar conta de tudo. O tempo do tempo de hoje não é o de maratona, é o dos 100m livres. Tudo é correndo e já pensando na próxima coisa a fazer. E se, por acaso, a gente chuta o balde e resolve mesmo aproveitar a noite (ou o dia, ou a madrugada, whatever) no outro dia, se não bate a culpa (que eu sou meio sem consciência mesmo), com certeza as obrigações estão todas fazendo fila na porta. Nesse momento, por exemplo, eu deveria estar no moodle anexando coisas para meus alunos ou na secretaria imprimindo um texto pra ser lido mais tarde. E não é só isso, tenho artigos a concluir, matrículas a revisar, uma eleição pra organizar, um filho pra buscar na escola, uma estante pra arrumar...a lista das coisas a fazer só cresce por mais que eu me esforce. E o tempo escorrega pelas mãos. Poxa, eu sou adulta, mas parece que hoje tem muito mais gente dando pitaco e tendo direito sobre o meu tempo do que quando eu ainda estava nas categorias de base no esporte liberdade.Hoje surgem mais e mais coisas pra ver, pra ler, pra ouvir... o pior é que eu não consigo abandonar as velhas coisas. Quer dizer: quero ir ao cinema e assistir ao novo filme do Colin Firth, mas quero ver de novo e de novo Núpcias de Escândalo. Quero ler novos blogs, novos livros, mas não posso passar um mês sem reler Ligações Perigosas ou A Insustentável Leveza do Ser. Quero conhecer gente nova e passear mas quero passar o fim de semana deitada na cama da minha mãe rindo com minhas irmãs. Quero conhecer o mundo mas quero ficar o domingo em Maranguape com hg e silvinha tomando café e contando histórias de amor.Acho que estou é ficando velha mesmo. Eu gosto de ficar velha e não estou culpando a velhice por estar sem pique pra fazer um negócio qualquer. É outra coisa. Como já vivi mais, já vi mais coisas, já sei o que gosto, o que quero repetir...então, tenho que ter tempo pros replays. Mas como já vivi muito, também já sei a importância de me abrir para o desconhecido. Aí complica, pois vou querendo tudo: o que já provei e o que ainda tenho a provar. Ficar mais e mais velha tem muitos benefícios e ainda vou escrever aqui só sobre isso mas, resumindo, a gente fica mais criteriosa, bonita, sensual, informada (pelo menos eu fiquei, né?). Mas tem um defeito: os leões vão crescendo e se aproximando. E haja espingarda, aula de tiro e noites insones de olho no gatuno. Esgota, ocupa, baixa o tesão. Estou aprendendo a ser caçadora e matar, esfolar e, em alguns casos, comer carne de leão. Mas não gosto.Queria mesmo era estar no colo do meu amigo L., com uma taça de vinho dum lado e uma gaitada por todo canto. Como não posso, a mente vagueia e vai buscar uma das falas de Grey's Anatomy (sim, eu vejo! sim, eu gosto!) que colo bem aqui...

Se lembra de quando era criança e sua maior preocupação era se você ia ganhar uma bicicleta de aniversário ou se ia ter biscoito no café da manhã? Ser adulto... Totalmente valorizado. Quero dizer, não se iluda com sapatos lindos e ótimo sexo e a falta dos seus pais te dizendo o que fazer. Ser adulto é responsabilidade. Responsabilidade é realmente uma droga. Realmente, realmente uma droga. Adultos têm que estar nos lugares e fazer as coisas e ganhar a vida e pagar o aluguel. E se você estiver treinando para ser cirurgião, segurando um coração em suas mãos, hein? Isso que é responsabilidade. Os jeitos de ganhar bicicletas e biscoitos parecem realmente bom, não? A parte mais assustadora da responsabilidade? Quando você erra e deixa isso escapar pelos seus dedos. Responsabilidade é realmente uma droga. Infelizmente, depois que passar da época de aparelhos e sutiãs, a responsabilidade não vai embora. Não pode ser evitada. Ou alguém nos faz encarar ou nós sofremos as conseqüências. E mesmo assim ser adulto tem suas recuperações. Quer dizer, os sapatos, o sexo, não ter pais dizendo o que fazer, isso é muito bom.


PS. Escrevi este texto para o blog Estrangeiros na Terra...mas achei justo homenagear em vários espaços meu amado L.

3 comentários:

Danielle disse...

concordo caríssima borboleta!

ALEX disse...

Parabens, Parabens

Minha Menina

Definitivamente

Tu és ADULTA

UM CHEIRO

ALEX

Pipoca disse...

é, responsabilidade é uma droga....

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