quinta-feira, 18 de março de 2010

Das incompreensões...

Tenho um novo amigo. Tem um oceano entre nós, mas isso é o menos importante. O mais difícil é que tem uma vida de gírias, peculiaridades linguísticas, regionalismos e, claro, a diferença de idiomas que faz com que tudo seja mais devagar. Como dizer eu te amo, sem parecer: estou apaixonada por você, pra uma pessoa que não diz eu te amo nem pra mãe? Porque só se diz eu te amo pra namorada, caso, esposa, etc. Dureza. Eu te quero bem não traduz nem de longe o calorzinho que dá quando a gente fala com um amigo que nos faz tão feliz. Mas enfim, dei pra pensar na ruma de palavras que eu não sei nem explicar quanto mais traduzir: chamego, por exemplo. Como se diz me pegue pra chamegar? Não dá, Elba, só entre nós mesmo. Chamego, molejo, dengo, marmota, esculhambação, roçar, se peneirar pra ir a algum lugar, vixe, são tantas coisinhas miúdas (como canta Bethania) que não parecem significativas mas, no meio do papo, principalmente escrito, faz toda diferença. E isso não é tudo, tem toda uma gama de referências culturais, históricas, geográficas. Como ligar pra uma pessoa e não dizer: sabe eu tava pensando na música feijãozinho com torresmo, você acha a Maria Creusa injustiçada? Tais diferenças terminam até grandes paixões, imagine um xodó novo entre conhecidos/amigos. Mas eu não me deixo abater e chafurdo (outra palavra difícil) a internet e os dicionários na ânsia de me fazer perto. Olhe que eu não tenho nem o inglês pra fazer o meio de campo. Nunca me preocupei em aprender outras línguas. Nunca quis. Hoje me ressinto um pouco, mas não me arrependo, porque gastei estas horas todas de não aprendizado agarrada em algum livro. E não pense que as dificuldades se apresentam só no quesito estrangeiro que não entende nadica de português. Tenho uma amiga/irmã que é gaúcha e a gente se confunde toda com palavras ou expressões idênticas que têm significados humanamente inconciliáveis como, por exemplo, quando eu digo que gostaria de chupar um dindin (e ela logo imagina sua amiga a lamber uma jardineira cheia de pessoas fantasiadas de personagens infantis) ou quando ela diz que a faxineira baldiou a sala e eu penso em bagunçar e ela queria dizer jogar água com um balde. Mas essa coisa da incompreensão vai ainda mais longe, ontem mesmo estava conversando com Aline sobre posts aqui do borboleta que ela pula já que as minhas notícias quentes e novidades cinematográficas são, predominantemente, das décadas de 40 e 50, período que talvez nem os pais dela estivessem com idade suficiente pra curtir filmes quanto mais ela. Muitas e muitas vezes tenho a impressão de que estou escrevendo só pra mim, porque as autoreferências se sucedem num ritmo tão alucinado que talvez só eu mesma pra me acompanhar...e olhe lá. Enfim, sei que o ser humano é um só (no sentido de solitário, claro) e que o entendimento é sempre uma ilusão e que a palavra é sempre incompleta e que nós nunca jamais estaremos tratando do mesmo...mas que eu bem queria um google translate mais preciso, ah, isso eu queria.

5 comentários:

ALEX disse...

Pois é nos seres humanos somos assim...complexos

Mas ai eu lembro

"Tudo certo como dois e dois são cinco"

"Quando você me ouvir chorar
Tente não cante não conte comigo
Falo não calo não falo deixo sangrar
Algumas lágrimas bastam pra consolar"

E concluo com

"Tudo certo como dois e dois são cinco"

Um Cheiro

Alex

Aline disse...

Acho que perco um bocado de não poder entender quando tu fala do teu povo preto e branco. :)

Aline disse...

Opa, a carinha era pra ter saído assim-> :(

Danielle disse...

não me importo de entender, me contento com "ler".
Beijos!

Renata Lins disse...

Isso, isso. Como dizer. Eu sofri tanto com isso. Acho que passei quase um ano calada, tentando entender como se dizia, na "ida" pra Suíça. E uns três pra conseguir encontrar minha língua na volta. Encontrar, sabe? As palavras eu sabia: nunca deixei de falar português. Mas minha "língua de rua", "de pensar", de "saber dizer", era o francês. Era e foi por uns três anos mais. Até uns quinze assim. Porque eu tenho um jeito. Eu falo palavrão - mas quais? em francês se fala muito mais palavrão do que em português. Eu gosto de ironia: mas quando? aqui isso não é bem aceito, é visto como "grosso" e não como a brincadeira que pode ser. Demorou, viu... como te entendo... e agora, você tá aí, aprendendo o português "de lá". Depois conta mais...

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