segunda-feira, 29 de março de 2010

Ao meu leitor prometido...

"Convém não facilitar com os bons, convém não provocar os puros.
Há no ser humano, e ainda nos melhores,
uma série de ferocidades adormecidas.
O importante é não acordá-las.”

Nelson Rodrigues


Nunca fui boa em seguir conselhos, mesmo que venham do querido Nelson. E, apesar de ser fã de Capra, não sou muito otimista. Nem gosto muito deles. Gosto dos cínicos, dos breves, dos amargos. Gosto de Bogart, Wayne e Gable. Gosto do inesperado de generosidade, coragem, renúncia que acomete os desiludidos e egoístas. Quem deixa Ingrid Bergman ir embora com outro homem, peloamordedeus? Quem mata o facínora e permite que outro leve a fama, porque isso é o certo a fazer? Quem vai lutar uma guerra perdida, depois de perdida, sabendo que está perdida, porque não poderia amar mulher nenhuma se não amasse muito mais a honra? Quem faz istos (no plural mesmo)? Quem? Eles. Os cínicos. Os canalhas. Os párias. A eles o meu mais terno amor. Eu gosto das fragilidades humanas. Gosto do ciúme, do ridículo, das fúrias e das lágrimas. Aprecio os erros. Parece-me que são as incompreensões, as impossibilidades, os defeitos que tornam ser humano tão divertido e interessante.

E a propósito de quê isso tudo? É que tenho um novo leitor. Não sou eu que digo, é ele mesmo, em gentil mensagem em que desculpa suavemente meus arroubos indiscretos. Se eu fosse uma pessoa boa, isso pararia lá mesmo. Mas eu sou fã da Mae West (quando eu sou boa...quando eu sou má...vocês conhecem o resto), então ao invés de simplesmente agradecer a delicadeza, um post. Pois se já ruborizei, cumpre agora fazer por merecer o sangue nas faces. Conheci (por assim dizer) o senhor PN em um acaso, atraída pela palavra Doniphon. E fiquei presa. Presa à potente promessa subentendida de que mais belezas de estilo e verve se colocariam. E se colocaram. Nestes tempos de internet (meu deslumbrado tempo, que a outros já passou, outros não chegaram e há quem simplesmente deixe passar) ainda me parece insólito apreciar palavras e – já que já foi confesso – rosto, de quem sequer me foi apresentado. Sim, como em Orgulho e Preconceito há alguma coisa latente na desinibida Borboleta que fica a esperar ser apresentada antes de colocar o nome do maroto em sua caderneta de danças. Mas este tempo, eu dizia, de não-fronteiras cria falsas(?) ilusões de proximidade e, de tempos em tempos, vejo-me a troçar e a chamar de amigos os desconhecidos de além-mar.

E é assim que este post se transforma em pergunta, meu caro novo leitor, devo voltar à minha pálida e silenciosa audiência em seu cemitério ou já passamos a um ponto outro onde o termo amigo, tão despreocupadamente usado nos facebooks e orkuts, passa a ter um significado de sim, vamos nos falar, conhecer, apreciar?

Um comentário:

Lica disse...

"Eu acho que ele não veeeeeeeeem /
Ele não vem nããããããooooo /
Ou será que virááááá /
Será?"

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