segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Pintando o Sete - Segunda Temporada: Sylvia Plath


Por um tempo abandonei o pintando o sete, mas escrever sobre Mia Martini resgatou minha sede (perdão pelo trocadilho) por histórias femininas que me emocionam, empolgam, impressionam e sei lá mais o quê que faz a mão tremer, embarga a voz e umedece o olhar. Sylvia Plath. Com ela eu fiz um caminho não usual. Primeiro conheci uma versão de sua vida e, depois, suas obras. Li Amarga Fama e a amei. Entre seus livros, sonhos cor-de-rosa, suas palavras brancas e o doente desejo de ser melhor e melhor, Sylvia se construiu e construiu belas e belas formas de dizer a dor, a solidão, o amor, o sofrimento. Ela tentou se matar algumas vezes, mas quem não tenta? Com amores infelizes, trabalhos estressantes, falsas amizades, solidão, maus livros, todas estas escolhas são formas cotidianas de se matar um pouquinho. Mais adiante, ela conseguiu. É muito mais do que se pode dizer de muitos de nós. Ela e Alfredo abriram o gás (aquele Alfredo que ninguém sabe de quê). A diferença, talvez, é que ela não era só como se sentia. Uma vez, quando eu sofria de amor (e o bom é que passa) uma amiga me disse: não lembre de Sylvia Plath, não lembre de Sylvia Plath. Bom, eu não a esqueço. Não a esqueci em nenhum momento porque sempre soube que ela era grande e que morrer de amor não a fez maior, apenas fez mais breve seu tempo de escrita. Ela escrevia diários que denominava Mar de Sargaços. Um lugar cercado por correntes oceânicas, quente, um lugar conhecido como cemitério dos navios. Eu só posso invejar toda esta cultura que fazia uma jovenzinha já conhecer este lugar. Um lugar que bem poderia ser descrito como o fez Rufo Avieno sobre as Colunas de Hércules: "muitas algas crescem em meio às ondas, as quais retardam o navio como se fossem arbustos (...) Aqui, as bestas marinhas movem-se vagarosamente de um lado para o outro, e grandes monstros nadam languidamente entre os navios que se arrastam" (só pra constar esta comparação não foi genialidade minha e sim da wikipédia). Sylvia era obsessiva em seu trabalho, as minúcias a atormentavam, a busca pela alinhavada precisa entre palavra e sentido - isso a consumia. Uma pálida beleza com um batom demasido vermelho. Ela era forte, mas parecia saber disso apenas em dias alternados. Ela era bela. E ela era triste. Entre homens fortes e suas abelhas e seus ferrões ela só pôde morrer. Eu posso mais, porque posso lê-la.

2 comentários:

Ana disse...

So uma palavra: lindo. Lindo texto, lindas mulheres - voce e Sylvia.
Beijos saudosos!

400Blows disse...

Maravilhoso! Palavras lindas sobre minha escritora favorita. Fantástico.

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