sábado, 20 de fevereiro de 2010

Mais sorte ainda...

Já disse que sou mangueirense? Meu coração é verde e rosa, descendo o morro eu vou...Depois de ver tangos e tangos, agora estou sambando. Samba de primeira qualidade, estou assistindo a Mangueira no desfile das campeãs. Redundante, isso. Mangueira devia ter lugar cativo neste desfile, devia ser campeã honorária sempre. Não tem graça Carnaval no Rio (logo, no mundo) sem Mangueira, ela é chão, harmonia, bateria, tudo alegre, verdadeiro, belo. Ai, a resposta do surdo de primeira, única entre as escolas. Ai, as passistas. E a emoção, sempre. O que mais gosto do desfile das campeãs é a transmissão que não é a da globo, háháhá. Explico: na transmissão da globo toda escola parece igual, é uma transmissão superficial e, pior, de superfície, transmissão asséptica, à distância. A transmissão do desfile das campeãs passeia por dentro das alas, demora-se nas passistas que no desfile oficial a gente nem sabe que ainda existem, esta transmissão que assisto agora cola nos integrantes da bateria e me deixa arrepiada. Esta transmissão mostra, claramente, que a Mangueira é única. Que ela risca o chão com poesia. Diferenciada. Sim, sou parcial. Não consigo explicar o que sinto quando o samba da Mangueira martela meu coração e a escola derrama-se na avenida. Este ano minha escola caprichou, homenageou a música popular brasileira. Assim já é maldade. Haja calcanhar de Aquiles. A comissão de frente com a plena integração entre os pares de dançarinos e o piano da Mangueira, o mestre-sala representando Cartola e - ah, emoção - a porta-bandeira com a fantasia as rosas não falam, a arquibancada cantando o samba junto com a escola, o carro alegórico com uma roda-gigante (roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão, o tempo rodou no instante nas voltas do meu coração...), todo o desfile ressoando na minha veia, batucando minha imaginação. Sim, eu amo a Mangueira. Eu já disse que sou uma pessoa simples. Meus amores são explícitos. Sou uma deslumbrada com o ser humano. Acho incrível o carnaval feito pelas escolas do Rio, acho incrível minha Mangueira ser sempre igual e sempre outra. Tenho sambas e desfiles arabescando minha memória, a homenagem ao Chico Buarque da Mangueira (e ele é mangueirense como eu, hehehe), a comissão de frente de 99, os sambas sobre Ary Barroso, Charles Chaplin, o injustiçado Doces Bárbaros... o desfile está terminando e eu pairo no google procurando conservar por mais um tempinho esta coceirinha na garganta e esta umidade no rosto, querendo carnaval o ano inteiro, Mangueira todo dia. Fico, então, com a bel poesia feito samba e que se intitula, obviamente, Exaltação à Mangueira: (...) Mangueira teu cenário é uma beleza que a natureza criou, os morros com seus barracões de zinco, quando amanhece que esplendor, todo mundo te conhece ao longe, pelo som dos seus tamborins e o rufar do seu tambor, chegou, a mangueira chegou (...). Eu não quero colocar vídeo pra não ficar repetitivo mas eu garanto que vale a pena assistir ao esquenta da Mangueira (http://www.youtube.com/watch?v=S_yeagBJQnc).

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