sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Chupando drops de anis...com Aninha

Está decidido, tenho que começar. E começo falando da minha fascinação. Filme, cinema, pra mim é coisa séria. E mágica. Atordoante. Se eu dissesse que cinema é a minha vida seria, assim, um exagero, afinal tem também o oxigênio, meu filho e os livros*. Mas está ali, ali. Assistir um bom filme produz uma sensação de prazer que eu nem sei descrever. Eu não sou uma estudiosa, não sou crítica de cinema, sequer tenho boa memória. Mas sou uma apaixonada, ah, isso eu sou. Sou fã. Hoje em dia já tenho até um comportamento esquivo em relação a filmes novos porque a sensação de que eles não cumprem seu papel é muito forte. Mas não é disso que quero tratar. Quero falar da beleza. A beleza perfeita, inominável das grandes divas de Hollywwod e seus cavaleiros indomáveis. Aaaah (som de suspiro), o cinema europeu, escasso pra mim, mas também inesquecível. A beleza absoluta em filmes que nos fazem pensar sempre, mas de forma a não duvidar... sim, existe o bom, o certo, o justo, talvez não agora, talvez não ali, mas sim a liberdade, a justiça, a beleza, a coragem são possíveis. Há, claro, tormentas. Dissabores. Mas a promessa de que amanhã é outro dia, esta não falha até nos finais mais infelizes. Porque um bom filme nunca esquece que não somos mais que pessoas, carne e sangue, falíveis e crentes e desejosas e caminhantes. E um bom filme nunca deixa de querer ser exatamente isso: filme. Cinema. Pra mim, arte. Mas porque se sabe entretenimento. Enfim, promessas e beleza e arte eu sempre encontrei em James Stewart e Gregory Peck (se a Débora Kerr que o Gregory Peck...). Então, resolvi começar com eles. Tinha que começar por algum lugar e eles me pareceram um lugar melhor que muitos outros.
Minha declaração de amor a James Stewart eu já fiz (http://borboletasnosolhos.blogspot.com/2009/06/chupando-drops-de-anis-4.html) então vou tentar ser sintética na lista de filmes dele que proponho a você, amiga. Imperdíveis três Capras: A mulher faz o homem, Do mundo nada se leva e A felicidade não se compra. Filmes inspiradores, aparentemente ingênuos, mas que riqueza cinematográfica. Tipo de filme que me enleva, onde os personagens e o roteiro preponderam sobre elementos técnicos. Depois, dirigido por Hitchcock: Festim Diabólico, O homem que sabia demais e Um corpo que cai (tem também A Janela Indiscreta, mas este é auto-indicado, né?). Estes eu não devia nem comentar (mas insisto): a forma sutil como James Stewart constrói seus personagens abrilhanta a construção complexa dos filmes hitchcockianos. Vale a pena demais...se for assistir só um que seja Festim Diabólico que é um suspense magistral e ainda baseado em fatos reais. Entre os "avulsos" eu não perderia: O maior espetáculo da terra (se você curtir cenários incríveis e a louvação ao circo), Núpcias de Escândalo (de quebra limpa a vista com Cary Grant que é tudo de bom) e O homem que matou o facínora (é um western, mas não se afaste, é um belo filme sobre a coragem, as mudanças, a inspiração).
Gregory Peck é outro que vale a pena pelejar pra encontrar e assistir seus filmes. Ele é daqueles que unem charme, elegância e talento de uma forma que, eu tenho certeza, perdeu-se na era de ouro de holywood entre aqueles rolos e rolos de filmes. Além disso era daqueles liberais sempre envolvidos em causas humanitárias (mas sem a chatice persecutória que hoje parece ser a regra dos politicamente corretos). Na wikipédia diz-se que ele talvez tenha sido o último dos homens de bem quando o bom-mocismo se tornou meio demodé. É possível. Mais que isso, provável. Eu o vejo, na minha memória, como advogado criterioso e honesto de O Sol é para todos. Ele escolhia, sempre, papéis decentes e elegantes e eu não conseguirei jamais dissociar estas características de sua figura. Eu recomendo sem medo: A princesa e o plebeu (mas quem pode errar com Audrey, Peck e Roma, hein?) Quando fala o coração (um filme que se passa em um hospital psiquiátrico e que é, antes de tudo, um belo passeio pelo nosso senso de normalidade e pelas nossas idéias sobre o amor) Duelo ao Sol (este é o filme em que o Gregory peca, mas não com a Débora e sim com Jennifer Jones - a que ganhou o Oscar por "A canção de Bernadette". Além destes citados tem ainda Teu nome é mulher, As neves do Kilimanjaro, Da terra nascem os homens, Maby Dick...
Ufa! Acho que consegui. Comecei. E fui o mais sintética possível, eu juro. Só organizando:
1. A felicidade não se compra
2. Núpcias de Escândalo
3. Festim Diabólico
4. A princesa e o plebeu
5. O homem que matou o facínora
6. O maior espetáculo da terra
7. Duelo ao Sol
8. Quando fala o coração
9. Um corpo que cai
10. Do mundo nada se leva
11. O homem que sabia demais
12. A mulher faz o homem.

*e os amigos, e o resto da família, e os prazeres da carne, e sorvete de flocos, e cerveja gelada e,e,e - mas assim, com uma lista enorme, causa menos impacto!

Um comentário:

Marília disse...

Essa minha Cunhada conhece muita coisa e escreve bem pra caramba.
Saudades, te amo e bjos !!!
Cunhada.

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