sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

C'est si bon de partir n'importe ou (II)

A primeira coisa a dizer eh que o casaco que estou usando combina com Paris. Bege. Paris eh silenciosa. Ou melhor, educada. Acredito que se buzine por aqui, alguem xingue, de risada, copos caiam, sei la, tudo isso deve acontecer, sao coisas comuns, proprias de onde mora (muita) gente, mas aqui nao se ouve nada disso. Aqui se sussurra. Pelo menos, eu sussurro (ou tento). Aqui os turistas parecem pedir licenca o tempo todo por estar fotografando, ferindo o bom gosto com sua sede de registros. Aninha pensa que nao estou gostando, porque estou contida em minhas demonstracoes de prazer. Eh que to sentindo tudo pra dentro. As borboletas nao estao nos olhos, estao no meu juizo. Se a Italia me tirava o folego (e, as vezes, os pes do chao), Paris me rouba as palavras. O prazer de estar em Paris nao eh o de reencontrar um amigo, eh o de conhecer alguem que se admirou por muito tempo. Como se eu conhecesse, sei la, Clarice ou Marguerite Duras...com certeza eu ficaria em silencio um tempao procurando a frase mais perfeita pra impressiona-las (e aih, claro, talvez perdesse a oportunidade de dizer qualquer coisa) - um parentese: fico muito arre egua sem acentos, parece que nao digo exatamente o que quero enunciar, fecha parentese. Voltando a Paris. Duas vezes ja descrevi Paris hoje, essa serah a terceira e, a cada vez, fico mais imprecisa, mas tentarei mesmo assim. A beleza de Paris eh como a de Monalisa. Aprisiona o olhar. Voce fica encafifada tentando explicar a si mesma porque nao consegue olhar pra outro lugar, porque nao consegue desejar outra coisa, porque nao consegue sequer pensar em se mexer. E, quando finalmente voce desvia os olhos, voce tenta e tenta descrever o que era que voce estava achando tao bonito e nao consegue. As palavras brincam de esconde-esconde com sua lingua. Voce fica na maior peleja e tudo que consegue dizer eh que eh realmente lindo e tudo que voce quer eh olhar um pouquinho mais. A beleza de Paris, a completa beleza de Paris so se ve estando aqui, so se ve com o corpo todo. Este voce, entenda, sou eu. Outra pessoa pode sentir totalmente diferente, pode se sentir em casa, sei la. Eu me sinto respeitosa, pois tudo que sei eh de ouvir dizer e quase sempre dito por quem nao podia, mesmo, apresentar corretamente Paris (os americanos, ou melhor, seus filmes). Sinto-me, tambem, feliz por encontrar tanta gentileza entre os habitantes/trabalhadores de Paris, do taxista a vendedora de paes e demais gostosuras, do vendedor da banquinha de fruta ao garcon do hotel, todo mundo foi muito gente fina comigo. Hoje fomos ao Louvre. Passamos 05 horas andando pra la e pra ca e se eu dissesse que senti o tempo passando seria a maior mentira. Senti, depois, os pes doendo, claro. E a cabeca tonta de tanta informacao e arte. Vi o basico (Monalisa, Venus, Vitoria de Samotracia e tal) e vi o plus, o a mais que o Louvre pode oferecer. Entre estes ultimos, a iluminacao noturna do museu. Que maravilha! Que delicadeza! Aqui tudo eh tao fino que as lembrancinhas nao caem bem. Fica tudo excessivo, vejam so, um brinco com a torre pendurada. Alias, a Teh (minha amiga torre) nao para de me mandar convites, insinuacoes, nao para de fazer promessas. Ela eh onipresente nesta minha viagem. Saih sozinha pra dar uma volta noturna e me ambientar (nao adiantou muito pois ainda estou sem mapa), mas ja fiz compras que eh pra ir me aprochegando. Devo acrescentar o obvio: Paris eh sua luz. A iluminacao faz muita diferenca. Tudo fica suavemente vivo. As mulheres sao elegantesimas, alias, elegantes, pois os excessos nao sao apropriados por aqui. Os homens sao passaveis. Enfim, continuo no estilo Piaf, mas terei que ser do contra, la vie non et pas rose, la vie et le beige.

3 comentários:

ANTENOR ALVES DE SOUSA JUNIOR disse...

Luciana, por favor entre em contato comigo, deixei um depoimento importante em seu Orkut. Beijos. Antenor Jr - antenorjr@artetopografia.eng.br
9991 8429

Dançarina disse...

Eu jurava que Paris não ia me pegar... como tudo que já chega muito anunciado eu desdenho, desafio, duvido hehehe. Paris? Duvido que eu goste... que clichê gostar de Paris... e veja só! Acontece o que tem que acontecer, sempre... a gente se apaixona e não tem jeito! Eu não tenho culpa se a Champs Elysees no outono é... , e se caminhar pelas margens do Sena realmente... eu tentei, mas foi inútil, tive que me render! Acho que foi isso que te aconteceu... Paris tomou conta de tu!
Beijosss

Aline disse...

É, você tá mesmo uma Amelie Poulain do sertão!!

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