quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Ha qualcosa da dichiarare? (III)

Sinto-me grata. Estou encontrando meu sorriso. Mais que isso. Estou encontrando minha gaitada. E me sinto grata. Grata a Aninha por seu afeto, cuidado, diligência comigo. Grata a Arthur que, placidamente, acolhe minhas esquisitices. Grata a Mara e Massimo que fazem parecer trivial a gentileza e a boa educação. Grata à minha família e amigos que disseram: "vai" e eu vim. Grata à Itália por ser tão maravilhosamente linda, justinho como eu pensei e quis que ela fosse. A gratidão me preenche de forma quente e doce, de tal forma que não há "obrigados" suficientes pra dizer o encanto de receber tanto.
Coisas práticas: o jantar de antipasti delicioso com uma conversa leve e interessante, o passeio a Lecce, a exposição de Sebastião Salgado, a convivência em Taranto...listar as situações não compreende toda a emoção. Não abarca. Este é meu quarto dia na Itália e me vejo perdidamente apaixonada - diria enraizada - ao lugar. Como quando se encontra alguém que a gente não conhecia, mas quase adivinhava, aquela pessoa por quem a simpatia é tão intensa e imediata que não se duvida que será um grande amigo (não é, Adry?).
Estou na Itália, isso ainda me deslumbra. Há um oceano entre mim e toda as minhas referências anteriores. Aliás, devo confessar que ter um bocado de água por perto é muito bom ("perto de muita água, tudo é feliz"). Sou matuta mesmo. Olho pra tudo com os olhos virgens e, repetidamente, o mesmo me enleva. Ruas de pedras, estreitas demais pra eu acreditar que transitam carros. Ruas que não se acabam, continuam em curvas que parecem atravessar portões, casas, gerações. Ruas com tanta história que, por um momento, sequer consigo andar com tanto peso. Nem consigo pensar como é viver com tanta história...
Aqui, tudo é belo. Mas é, também, algo além. Algo que me atravessa. Que me toca, que me responsabiliza por mim mesma. Aqui é tudo diferente. Outras conversas na rua (eu suponho), outras negociações, outros cotidianos. E, ao mesmo tempo, tão igual. Aqui se compra e vende e se come e se ama e se reza e se ri e se conversa e se faz amizade e se acolhe e se cuida...Aqui se vive e como escrever isso é trivial e, ao mesmo tempo, de uma verdade que me obseda.
Encontro prazer em sair e em ficar. A rua me encanta, mas ficar enrodilhada no sofá lendo um livro também me acalma e me ajuda a redescobrir aquele sorrir que mencionei. E conversar. Falar e parlar e dizer e ouvir e bulir mãos e juízo em busca não da compreensão mas da aproximação. A temperatura até que está fria, mas a Itália me aquece.

2 comentários:

Anônimo disse...

Que bom amiga! Parece que diante de tudo tão estranho e tão familiar, a gente se encontra e se reconhece né? A Itália é linda que nem tu! Beijosssss!

Dançarina disse...

Esse comentário foi meu... num sei pq essa história de anônimo! Humpft!

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