quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Coração na mão

Ando sentindo muitas coisas e sentir tanto assim parece que assusta as palavras. Elas andam meio escondidas e, mesmo neste momento, comparecem à contragosto, apenas pela vontade que lhes imponho. Desta forma, não as espero arrumadas nem animadas. Mas estão aqui e isso deve ser suficiente. Vai completar um ano que moro em outra cidade e ainda sinto como se estivesse de passagem e isso me assusta. Vou me casar e isso me assusta. Vou pagar a festa do casamento e isso me assusta. Vou passar um tempo cuidando sozinha do meu filho, sem minha mãe como apoio e isso me assusta. Não sei quando meu amado vem morar comigo e isso me assusta. Estou comprando uma casa e vou dever horrores por um tempão e isso me assusta. Passo semanas sem falar com amigos queridos porque telefonar sai caro e isso me assusta. Fico pensando de quanto em quanto tempo vou ver meus irmãos que eu encontrava todo dia e isso me assusta. Fico pensando em dinheiro, gastos, economia e coisas afins de uma forma que nunca me foi própria e isso me assusta. Como vocês podem entender, eu ando igual uma corda de violino, vibrando com qualquer coisinha. Andar por aí com o coração na mão não é nada fácil. A gente se machuca fácil. Como diz a canção, ele não é de papel, sofre e tudo mais. É estranho pensar no coração. Com estudante de anatomia e fisiologia que fui (embora péssima) sei bem demais que ele não tem nada a ver com o que sinto, com o que me assusta e alegra. Sei que se ele falha quando olho pro meu querido não é por vontade própria mas por obediência a ordens superiores. Sei que não é neste órgão estranho, cheio de entradas e saídas, meio torto e muito sanguinolento que habitam meus temores, meu bem querer, minhas alegrias, meus desejos, mas que a imagem que me acompanha é a de um coração repleto de sentimentos, ah, isso é. É ele que parece chorar junto com meus olhos quando a saudade da voz do meu bem, do abraço do meu filho, da presença de amigas como Adry, das risadas com minha cunhada e meus irmãos se torna maior do que eu mesma. Este texto tá ficando meio lúgubre e não é minha intençõ passar uma falsa impressão. Eu rio por aqui. Fiz amigos que me acalentam, alegram, apóiam, desafiam. Tem a Lilian que, pelo nome e jeito, podia até ser irmã. O trabalho é na medida da minha satisfação. A cidade é acolhedora. A vida é boa, mas mudar dói. Então, bate, bate, bate coração dentro deste velho peito e, algumas vezes, na mão...

5 comentários:

ALEX disse...

Acredito que você chegou até aqui, não foi por obra do acaso.

Sempre vi você como uma pessoa que quebrou paradigmas e defende seus ideais com uma convicção ferrenha...

Embora suas preocupações sejam pertinentes.

Tenha bom animo você vai conseguir vencer mais estas


UM CHEIRO!

Aline disse...

As mudanças, na medida do comparável, me trazem coisas parecidas... Você escreve menos, não por falta de vontade, mas por falta de energia. Por outro lado, seus sonhos noturnos ficam mais ativos e bem malucos, você sonha mais, esquece e mistura coisas simples do dia-a-dia, fica mais sensível e se machuca mais e mais fácil. Ainda bem que mesmo assim você (tô falando exclusivamente de você) escreve! Te adoro.

Ana disse...

Lu, abrace a mudanca. Acolha tudo de bom que vai acontecer daqui pra frente e transforme o "ruim" em bom. Vai ser diferente, desafiador - tudo no bom sentido. E tudo vai ser fantastico. Aceite, incorpore, faca seu, porque voce vai estar cercada de pessoas que te amam (ateh aquelas que estao longe), e eh isso que conta. Um beijo imenso, saudade e a bencao de todos os anjos e santos nessa nova empreitada.

Dani disse...

Já estava com saudades de você por aqui.
Amiga de carne e osso...e... coração! O novo, o desconhecido trás sentimentos como esses que vocÊ descreve tão bem; estamos aqui, bem pertinho de você, é só chamar.
Te adoro!
Dani

Contra a Maré disse...

Tenho visto, mas tenho fé.

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