quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pintando o sete

Finalmente descobri minha próxima série. Sete autoras que me inquietam, animam, inspiram, perturbam, comovem. Sete mulheres e isso me parece apropriado, já que sete é o número que representa o infinito e cada mulher é múltipla e infinita em si mesma se se permitir, simplesmente se permitir ser. São elas: Adélia Prado, Marguerite Duras, Sylvia Plath, Clarice Lipector, Cecília Meireles, Dolores Duran, Simone de Beuvoir (em seu momento apaixonado por Nelson...). Mulheres lindas, fortes, enternecedoras e cruéis. Escolhi-as pensando nas cobras aí ao lado. Mesmo quando estas autoras são dúbias, contraditórias, imprevisíveis ou sei lá o quê, elas conseguem me dizer e ao meu sentimento passado, presente ou antecipado. São estilos, épocas e temáticas distintas, mas eu as encontro em mim. Esta mulheres me são caras. Em vários momentos de meu tornar-me mulher elas estiveram à minha frente como um clarão.

Ser mulher é delicado. Exige concentração. Planejamento. Não é algo dado. Escrever também não é nada fácil. demanda entrega e precisão que às vezes nos escapa. Imagine se ocupar das duas coisas. A gente sofre. Rala. Ama. Ri. E tenta. Tenta agradar e ser autêntica. Tenta ser acolhida e viagem. Ser mãe e amante. Ficar e partir. Tenta acertar pra fazer tudo ficar bem. E tenta errar pra não estar sempre com a razão e diminuir o amado. Tenta, como diz Clarice, escrever, porque é preciso, mas sem esmagar as entrelinhas. Tenta mudar sem perder o que é sua própria essência que não existe porque a essência só é na medida da existência. Ser mulher é submeter-se por amor. E só por amor. É saber-se pescoço e se divertir com isso. É ir de princesa a bacorinha sem pestanejar. É ser porto e lenço. É não ser nada disso e ser outra coisa que é imprescindível pra alguém - ela mesma. Ser mulher não tem forma, regra nem modelo. Só indícios. Salto, batom, sutiã. Colar e brinco. Sim, ser mulher é brincadeira. É um a mais, depois de aprender a ser falante. É uma máscara do nada, mas que lindo é poder ser um pouco de cada vez. A cada mês. Ser mulher é ser lua, às vezes cheia às vezes minguante, vazante. Ser mulher é ser noite escura, mistério e terror. É não poder dizer, nem escrever. É saber-se em falta (nos dois sentidos). É ter todos os sentidos e mais alguns. Ser mulher é delicado, embora nem toda mulher o seja. Ser mulher é ficar feliz como eu estou e, ainda assim, não esquecer a possibilidade da tristeza. É não esquecer Vinícius: uma mulher tem que ter qualquer coisa de triste. Qualquer coisa que sente saudade. Um molejo de amor machucado...". Ser mulher é ser uma mulher. É ser uma. Única. Ser Rebecca. Ser Gilda. Bonequinha de Luxo.De qualquer maneira. Á sua maneira.

3 comentários:

Gabi disse...

Que liindo Luh! *--*
ainda não pude descobrir tudo sobre ser mulher, mas aposto que quando descobrir, irei me lembrar desse texto.
beijos. :*

Dani disse...

Faço das palavras de minha Gabi as minhas... rsrsrs
Apesar de esperar ansiosa pelos 7 anões adorarei esperar o que você nos reserva dessas maravilhosas mulheres.
Beijos!
Ah! Será que nessa você falará do Roberto???? rsrsrs

ALEX disse...

MULHERES QUE GOSTO:

SENSUAL
Quando amadas se perfumam
Se banham com leite, se arrumam

Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

MISTERIOSA
Diana me dê um talismã, talismã
Viajar, você já pensou ir mais eu viajar
Quando o sol desmaiar vou viajar
Olha essa sombra, esse rastro de mim
Olha essa seta, essa réstia de sol morena

GUERREIRA
E como não?
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim
Seu colo como
Se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim
Ela teimou e enfrentou
O mundo
Se rodopiando ao som
Dos bandolins...

UM CHEIRO ALEX

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