terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ainda com tirinhas...

Eu considero importantíssimo saber rir de mim mesma. E olhe que a concorrência é pesada, pois já tem um monte de gente rindo também (irmãos, cunhado(a)s, pais, etc.). Eu realmente me divirto com minhas peculiaridades que vão de um jeito de andar pulando-oscilando até uma risada inesgotável alimentada por palavras aleatórias. Sou boba em muitas e muitas coisas. Sou crédula. Saber disso e rir de mim mesma não comprometem meu amor próprio. Pelo contrário, o amor que tenho por mim mesma inclui uma boa dose de admiração por todas as minhas facetas. Em algum momento decidi que ser eu mesma era muito mais gostoso que ser um eu que eu poderia querer ser. Isso não implica em me afastar de mudanças ou abdicar do crescimento contínuo necessário, indica apenas que deixei de lado todo o peso e sofrimento das cobranças exageradas de quem faz um espectro de si para seguir. Em relação ao amor, por exemplo, sou ridícula. Capaz de desenhar corações entrelaçados em guardanapos e guardar como se fossem tesouros inestimáveis. Capaz de brigar e chorar um tempão por motivos que já não recordo e, logo depois, pedir um compungido perdão por atitudes que eu nem sei se fiz, só pra atrair um olhar amoroso de volta. Capaz de um dia passar quinze minutos com o telefone na mão sem coragem de ligar com medo de atrapalhar e no dia seguinte ligar e falar meia hora sem pensar se é hora de almoço/trabalho/direção, etc. Sou ridícula igualzinho às cartas de amor de que fala Pessoa. Mas cartas de amor são cativantes. São leitura sempre nova a cada vez que nos debruçamos sobre elas e nos permitimos sentir. Fui aprendendo a me sentir assim: cativante, interessante, imprevisível. Convencida, como diz o meu amor. Eu não tenho pejo de listar meus encantos. Até hoje eu acredito que ele se acostumou com o sentimento que tem por mim de tanto que eu disse que ele gostava de mim. E porquê, claro.
Aliás, ao lado de um irrestrito senso de humor sobre meus limites, considero importantíssimo gostar dos costumes, hábitos, rotina, sei lá como chamar este agradável repetir de dias onde tenho amor, filho, família, trabalho, amigos, e por aí vai. Sou grata por poder aproveitar todas estas experiências seguidamente. Sou grata pelas pequenas coisas. Principalmente no amor. Às vezes cobro palavras do meu bem. Quero que ele diga frases de filme, como os belos roteiros hollywoodiamos. Esqueço a importância dos pequenos gestos cotidianos que concretizam um sentimento muito mais forte do que as palavras românticas podem dimensionar. Eu mesma digo uma dezena de vezes "eu te amo" por dia e, a cada vez, estas palavras refletem um bem querer diferente e, na maioria das vezes, a declaração nõ me parece satisfatória e sim insuficiente. Então, sou grata. Grata pelo jeito como ele, mesmo cansado, se oferece de travesseiro pro meu sono, como ele nunca se nega a pequenos favores que o desviam significativamente de sua rota, como ele se permite aceitar e gostar dos meus amigos, sou grata pelo jeito como ele segura minha mão quando subimos as escadas de casa, pelo seu olhar de interesse quando falo, porque ele nunca se nega quando tenho um plano realmente esdrúxulo, sou grata por ele me querer tanto bem a ponto de me fazer tão feliz. Assim, não me importo que a Mafalda possa rir de mim, afinal de contas, eu também rio. E tenho, mesmo, muitos motivos.

PS. Não esqueçam de apertar nas tirinhas pra melhor vizualizá-las...

3 comentários:

Aline disse...

Meus comentários sobre o que você escreve tão ficando cada vez menores. Mas acredite, não é de modo algum economia. É que tem textos seus que me dão vontade de dizer só assim: Linda! Esse post é um deles. É um retrato seu, parece até que tô te vendo! Linda!

Dani disse...

Nós te amamos exatamente por você ser assim...Ler seu blog me faz sentir pertinho de você! Beijos, beijos, beijos...

Ana disse...

Lu, eu rio de voce, com voce, pra voce.
Aquele riso facil, sabe? Daqueles que faz a gente querer muito bem.
E a Mafalda, como sempre, brilhante.
Beijo!

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