quarta-feira, 8 de julho de 2009

Pintando o Sete: espelho, espelho meu...

Orgulho, soberba, vaidade. Este pecado é bem complicado de comentar. Complicado porque, dependendo do ângulo que se enfatiza, sou superpecadora ou uma santa. Escolhi, então, começar com a Lilith. Ela é considerada um arquidemônio símbolo da vaidade e é uma das representações do orgulho, da rebeldia da mulher em relação ao homem e a Deus. Poxa, ela não queria ficar sempre por baixo e só por isso foi expulsa do Paraíso e solenemente ignorada! Claro, isso em uma das versões possíveis. Outra versão diz que ela era a primeira esposa de Adão que o abandonou e foi embora do Jardim do Éden por causa de uma disputa sobre direitos iguais. Grande Lilith! Claro que, por causa da insubordinação logo virou um demônio...Mais tarde foi cultuada na Babilônia tendo com símbolo a lua, pois como a lua ela teria fases boas e ruins. Segundo a lenda, Lilith tinha 100 filhos por dia (haja fertilidade!), súcubus e íncubus (quem não souber o que são dê uma olhada no dicionário e cuidado à noite). Devido às suas características, ela também era relacionada com a deusa suméria da guerra e do prazer sexual (aspectos interessantes sintetizados em uma mesma referência, dava outro post). Bom, por esse lado o tal pecado começa bem. Embora atualmente eu seja obediente e submissa ao meu amado, já fui bem insolente com os homens da minha vida.

Se for vaidade, o pecado, sou pecadora, assumo. Sei que alguém por aí está dando risada, vaidosa? Não usa maquiagem, esquece de pentear o cabelo, passa por espelhos e nem olha...Pois é, mas quando olho, valha como me acho linda! No dicionário encontro que vaidade é qualidade do que é vão, instável ou de pouca duração. Sei não, pois faz tempo que sou irresistível e tudo indica que vou continuar assim por um tempão. Diz também que é desejo imoderado de merecer a admiração dos outros. Na verdade, não quero que você me admire, quero que você me queira. E, ainda como sinônimo de vaidade, encontro a palavra ostentação. Fiquei pensativa por um momento, não me gabo das minhas inúmeras virtudes, elas simplesmente são coisas que me acontecem...Quando penso em vaidade logo me lembro da Madrasta da Branca de Neve. Considero-a um personagem incrível. É um pouco chocante pensar que a vaidade implica em um traga-me o coração dela em uma caixa...por outro lado é bem óbvio que uma filha de uma mãe vaidosa só possa existir como mulher longe dessa mãe. Bom, o meu espelho mágico não me diz se há alguém mais bela do que eu, até porquê esta não é a minha questão. Mas meu espelho me diz todo dia que meu rosto/corpo são meus, lindos por isso mesmo, que eles guardam as histórias dos meus amores, esperanças, risos, lágrimas, conquistas, projetos.

Bom, aí alguém poderia (ilegitimamente, na minha opinião) dizer que estou sendo orgulhosa já que, pelo dicionário, orgulho é o conceito muito elevado que alguém faz de si mesmo ou amor-próprio exagerado. Eu não acho que meu amor-próprio é exagerado...Eu mereço! Gosto mais do outro sentido de orgulho: altivez. Altivez me lembra uma cabeça firmemente erguida, rosto inexpressivo e lágrimas rolando lentamente sem soluçõs, olhos perdidos no horizonte. Gosto desta denominação: ela é altiva. É uma palavra que me lembra um comportamento nobre (por mais que esta frase seja elitista). É diferente de soberba, pra mim soberba parece alguém babando. Eu sei, eu sei, significa altura de coisa que está superior à outra, sobrançaria, presunção. Mas soberba, a palavra, não combina com este estado de espírito elevado, superior, parece uma coisa gosmenta, argh! Enfim, peco por vaidade, às vezes por orgulho, mas nunca por soberba.

Enfim, a literatura, a mitologia e os contos de fada não são nada gentis com os pecadores da minha laia. Quer exemplo mais claro de reprovação ao amor-próprio que meu chapa Narciso?
Porém, o que acho mais triste nessa estória é a conclusão que Oscar Wilde dá pra ela. Diz ele que, após a morte de Narciso, o lago que era de água doce torna-se de água salgada. As ninfas (acho que são elas) perguntam se ele (lago) chora por Narciso e ele confirma. Elas concordam que é um bom motivo pra lamentar, afinal ele era lindo. Aí é que o negócio fica doloroso, pois o lago pergunta: ah, ele era bonito? As ninfas confirmam e então o lago esclarece: chora, porque quando Narciso se debruçava sobre ele pra ver-se, em seus olhos o lago se via, perdendo-se os olhos de Narciso o lago perdia a oportunidade de ver sua própria beleza.

2 comentários:

Liana disse...

vou comentar não ó. Tô numa de ler pouco e escrever menos ainda, e esse teu post tem muitos personagens...

Já li sobre os cubos aí, ok...
Que o lago consegue ser mais vaidoso que Narciso, beleza...
Que a Branca fuja da madrasta pelos motivos psicológicos freud-junguianos, vá lá...

Mas que teu espelho diga que teu corpo/rosto são lindos... Aí tu pegou super-pesado.

Contra a Maré disse...

Eu gostei... mas não entendi... achei lindo... kkkkkk

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