quinta-feira, 2 de julho de 2009

Escolhas

Eu considero muito difícil fazer escolhas: este ou aquele? Não sei, sempre este e aquele me parecem igualmente desejáveis! Como escolher um sanduíche se tem com bacon, sem bacon, de filet, hambúrguer, hambúrguer de picanha, calabresa e por aí vai. Pizza, então, é o inferno, sempre são tantas combinações, todas tão apetitosas, aparentemente. Isso quando não tem aquelas combinações surreais que eu fico doidinha pra provar, tipo lombinho com mel. E roupas? Como é difícil entrar numa loja e não comprar todos os vestidos diponíveis. Compro roupas pra meses, não porque sou prevenida, mas porque levo várias e aí o gasto valeu por um tempão. Mas sofrimento grande, sofrimento mesmo, é em sebos e livrarias. Como escolher UM único livro? Eu não sei, nunca aprendi. Livros de todas as seções: viagem, suspense, clássicos da literatura mundial, livros de e para o trabalho, livros bobinhos, livros profundos... sei lá, tem letra impressa já me dá um comichão. Se alguém me perguntar de onde vem esta ânsia de ler, juro que não sei. Mas me lembro de mim, desde sempre, com um livro na mão (ou na bolsa, ou escondido no cano da pia do banheiro, ou embaixo da cama, ou ou ou).

Escolher é difícil. Significa abdicar não só do que imediatamente se abandona, mas abrir mão de todas as consequências de se ter feito esta opção. Faço escolhas irrefletidamente, o que vestir, o que fazer pro almoço, onde jantar no sábado, porque se eu parasse pra refletir sobre tudo que não vestirei, nem cozinharei nem irei no sábado à noite, como lidar com todas estas perdas supostas? Como aguentar saber quantas pessoas não conheci, quantas palavras não disse, quantos livros não li? Meu Deus, quantos filhos não fiz! Então, sigo, meus desejos me guiando, eu ilusoriamente senhora de mim, sujeita a eles. Só no lugar de tua é que não preciso, não sei e não consigo fazer escolhas. Sou tua. Pronto. Ponto. Sou mais eu com você.

Fazer escolhas é difícil. O que escolhemos diz de quem somos, mas diz mais, diz quem poderemos ser. As escolhas nos definem, ao serem feitas e em suas consequências. Eu não acho fácil me dizer, quanto mais me fazer. Como lagarta/borboleta, como cobra trocando de pele, escolher às vezes dói. Porque viver às vezes dói. Dói mudar de cidade pra trabalhar, mesmo sabendo que é o certo. Dói colocar o filho de castigo, dar tchau na porta do ônibus, pagar conta, reprovar aluno, ficar sem crédito no celular. Dói ter prioridades. Dói viver. Mas dói mais não viver. Não fazer escolhas, ser escolhida ao invés de escolher. Dói mais se proteger, se esconder, negar. Já cantava meu poetinha: a vida só se dá pra quem se deu, pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu. Ai de quem não rasga o coração... De todas as escolhas, só uma é fácil, previsível, constante: escolho te amar, todo dia, o dia todo.

E penso como Dostoievski: "Realmente, se um dia de fato se descobrisse uma fórmula para todos os nossos desejos e caprichos - isto é, uma explicação do que é que eles dependem, por que leis se regem, como se desenvolvem, a que é que eles ambicionam num caso e noutro e por aí fora, isto é uma fórmula matemática exata - então, muito provavelmente, o homem deixaria imediatamente de sentir desejo. Pois quem aceitaria escolher por regras? Além disso, o ser humano seria imediatamente transformado numa peça de um orgão ou algo do género; o que é um homem sem desejos, sem liberdade de desejo e de escolha, senão uma peça num orgão?"

6 comentários:

Liana disse...

Concordo com você. Escolher dói. Talvez a dor sirva para pontuar o que nós vivemos. Como um marcador de post.

Marília disse...

Como assim: "escolher onde jantar no sábado a noite"...
Isso não lhe pertence mais. Se doeu ou dói, não sei. Mas você já fez sua escolha. Bjos !!!

Contra a Maré disse...

Há... eu sofro em lojas de CDs, aparelhagens de som e livrarias... e como sofro... é lá que as vezes reflito porque ainda não ganhei na mega sena rsrsrs

Helma Aretuza disse...

Nossa! Eu tb fico assim diante de cardápios, vitrines e prateleiras. E diante de outras escolhas bem mais complicadas. O que me deixa maluca é que às vezes quero coisas completamente inconciliáveis. Bom seria se pudéssemos escolher tudo. Ou melhor, não escolher.

Danielle disse...

é... viver dói, só não dói mais porque temos com quem dividir a dor!

Aline disse...

Pra mim custa muito escolher! Quntas vezes me pego confusa, pq fiz de conta que não precisava escolher... e acabo colecionando 1 montão de coisa.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...