quarta-feira, 3 de junho de 2009

Telefone


Não é fácil ficar longe de você. Dói. Dói em mim a saudade, a angústia de ansiar por sua voz, seu toque, sua presença, e receber isto tudo em porções tão pequenas como um remédio controlado. Dói saber das suas dores, lamentar com você, chorar com você. Dói ainda mais não saber dos seus sofrimentos, ver você calado, caramujo que eu cutuco, sob risco de não só você sair, mas sair ainda mais dolorido. Eu não lido bem com a distância. Gosto de dormir ao seu lado. Gosto de sentir seu calor, gosto de sentir seu cheiro no meu lençol. Gosto de você, pôxa. A saudade cria monstros de várias cabeças, como aquele das Sete Caras do dr. Lao.


Ciúme, ansiedade, temor, insegurança, incertezas, tantas tempestades a sacudir o barco que não dá muito tempo pra curtir a pescaria, embora fique lindo nas fotos. Dá pra entender? O que a gente vive, mesmo a distância, é lindo e me arrebata, mas não é o que eu quero, eu quero o doceamargor do Cotidiano (todo dia ela faz tudo sempre igual...). Sobre a distância e o que eu fico sentindo aqui, aprimorei umas palavras que já tinha escrito a você:

Esperando. Esperando um toque. Que toque o telefone. Que uma palavra me toque. Que uma palavra me alcance, que essa palavra descanse meu coração que bate tão alto e acelerado para abafar o silêncio do telefone que não toca. Toca no rádio nossa música. Todas as músicas são nossas quando tocam no lugar do telefone que não toca. O telefone que não toca, toca minha solidão. Sensação de ausência de toque, toque de dedos, troque segredos, toque em meus medos. Medo de que o telefone não toque.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...