quinta-feira, 25 de junho de 2009

Pintando o Sete

Avareza. sf (lat avaritia) 1 Apego demasiado e sórdido ao dinheiro; desejo imoderado de adquirir e acumular riquezas, e que constitui um dos sete pecados capitais. 2 Mesquinhez, sovinice. 3 Ciúme. Creio que esse não é um pecado que se pareça comigo, sou até perdulária com dinheiro. Talvez, por isso, tenha tido tanta dificuldade de começar a escrever sobre este pecado e a série tenha se atrasado. Mas creio que descobri um caminho, então seguirei com ele. Fiquei pensando nos termos relativos à avareza: mão de vaca, muquirana, mão fechada, pica-fumo, seguro, caxinga, sovina, pão duro, unha-de-fome, somítico, avarento, migalheiro, penoso...O pobre (quase nunca) avaro não é realmente bem visto. Isto, contraditoriamente, em uma sociedade que louva o enriquecimento, a usura, amontoar bens.
Enfim, eu me diverti com os mandamentos do mão-de-vaca, aliás bem difíceis de seguir: 1) Nunca diga pode ficar com o troco - realmente difícil pra mim, muitas vezes vou embora deixando as saudosas moedas que no fim do mês fazem uma falta danada; 2) Não colocar a mão no bolso em vão - não coloco em vão, só coloco pra comprar, hehehe, talvez mais vezes do que deveria; 3) Amar seu bolso com a si mesmo - impossível, eu me amo demais, além disso sou ciumenta; 4) Privilegiar promoções - bom,se eu as encontro, tudo bem, mas gosto mesmo de comprar o que me agrada na hora que me agrada; 5) Pechinchar sobre todas as formas - não dá, realmente não dá, se a pessoa diz o preço eu decido se dá ou não pra mim e pronto; 6) emprestar sempre com juros - Deus me livre que sou católica e por muito tempo a usura foi pecado...
O outro lance sobre a avareza são seus personagens estranhamente cativantes. Recordei três: Tio Patinhas (que ilustra este post), Scrooge (Contos de Natal de Dickens) e Seu Nonô. Fico um pouco embaraçada de confessar que, do único personagem brasileiro sovina que lembrei, eu não sabia absolutamente nada. Nem mesmo qual foi a novela ou quem era o ator que o interpretava. Graças a Deus pelo google que me permite dizer que o Nonô era Correia, foi representado pelo grande Ary Fontoura e a novela era Amor com Amor se Paga.
O Tio Patinhas me acompanhou pela infância afora. Sempre gostei de ler e adorava as revistinhas Disney. Eu não gostava da mesquinhez do pato, mas sentia que ele tinha, em algum lugar, um coração generoso (pra você ver como eu me enganava desde pequena). De qualquer forma era ótimo como ele sistematicamente se dava bem em qualquer empreitada. Sem falar que ele realmente gostava dos inhos (huguinho...).
Mas devo confessar que meu coração bate forte mesmo é pelo Scrooge e seus espíritos de Natal. Eu o conheci, primeiro, em suas versões hollywoodianas. Filmes e filmes que tiram uma casquinha do genial personagem de Dickens. Depois me encantei com o livro. E, até hoje, tenho vontade de ver uma versão teatral. Um resumo rápido pra quem não conhece a história. Scrooge era um senhor solitário, muuuuiiiitttooooo rico e que não gosta do Natal. Ele trabalha (e maltrata) com um senhor muito liso que tem quatro filhos, incluindo um que tem um problema nas pernas. Na véspera de Natal, Scrooge recebe a visita do seu ex-sócio morto que lhe fala que não pode ter paz porque não era generoso e avisa que virão visitá-lo mais três espíritos. Aí é que o negócio fica bom. Aparecem o Espírito dos Natais Passados, o Espírito do Natal do Presente e o Espírito dos Natais Futuros. Eu sempre me comovo independente da versão que eu me depare. Depois é claro que Scrooge se transforma em uma pessoa generosa, incluindo uma amizade especial com o pequeno Jim (acho que é esse o nome, ou Tim, sei lá, um desses nomes pequenos americanos). E o velho Scrooge fica celebrando o Natal como ninguém. Meio brega? Apelativo?Eu gosto. Gosto da idéia de refletir sobre nossa vida e aprendermos com isso. Gosto também da suave indiferença, até mesmo uma certa crueldade, dos Espíritos. É interessante (quer dizer, eu acho interessante) como este texto sentimental e cheio de boas intenções, reflete a dolorosa situação da Inglaterra no período da Revolução Industrial (não em seu auge e empolgação, mas naquele período de mã-de-obra em abundância, esgotamento do campo, subúrbios lotados, desemprego...). Aliás, Dickens é um escritor envolvente, recomendo sem medo Oliver Twist, Grandes Esperanças e David Coperfield.
Pois é, talvez não tenha tratado a avareza como ela merecia, não é um pecado que me tente, mas quanto entretenimento ela me proporcionou...

5 comentários:

Liana disse...

Pelo contrário, bvvn nvvvvvvvvvc zb ccn nm mhj ,.h ... (opinião do Davi).

Agora a minha: pelo contrário, amiga borboleta, achei brilhante o post da avareza. Confesso que eu mesma gostaria de ser um pouco mais econômica, não avara... Tio Patinhas (inspirado no velho Scrooge) e o próprio Scrooge são figuras ímpares e sim, muito cativantes... Mas agora você me dê licença que vou vasculhar minha memória atrás de um avaro antipático.

Contra a Maré disse...

DISCORDO, acho que tu é absurdamente ávara. E o post é ávaro também. A diferença é o objeto da avareza.

Borboletas nos Olhos disse...

Me diz, o quê eu tô "suvinando"?

Contra a Maré disse...

Tu não suvina... não acho que todas as alcunhas que tu falaou sobre avareza estejam se referindo especificamente a mesma coisa. Tu não é suvina. Mas tu tem uma enorme avareza pelos teus pontos de vista, os quais defende com entusiasmo. Tuas idéias são teu tesouro e as distribui livremente, mesmo assim, isso reforça tua posse. Tu é ciumenta e deseja saber! Essa ânsia, também é avareza, lá no fundo. Pode ficar tranquila que tu tem os 7 pecados capitais... kkkkk pelos quais tem apego... e por isso te amamos.

Aline disse...

Bom, pelo menos me aproveito muito do pólen que essa borboleta espalha! Pois é, tenho que ser avara no comentário, pois meus minutos em frente ao computador estão contados, mas tinha que gastá-los aqui!

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