quarta-feira, 10 de junho de 2009

Filhos, melhor não tê-los?

Vinícius fez esta pergunta que, tenho certeza, vez em quando inquietou algum pai de primeira viagem. Hoje já sei a resposta. Melhor mesmo é tê-los. Tenho um e que diferença que faz na minha vida. E é porque está na idadezinha complicada, onde me ama mais que tudo e não sossega enquanto não me tira do sério. Eu olho pra esse ser tão diferente de mim, pernas e braços, sangue e carne e só penso que ele esteve todinho em mim, quase eu. É doce ter uma história pra contar. Como era doce o cheiro de bebê de seus cabelos que ainda se perpetua na minha memória afetiva. Eu o vejo em retratos, slides de emoções onde as cores se tornam borrões: correndo no sítio, aprendendo a chutar, falando mamãe, primeiro dia de aula, dançando são joão, doente querendo colo, mamando, dormindo quietinho do meu lado, jogando videogame tão concentrado, cozinhando com a avó, soletrando na escola...Tenho tanto medo da enorme responsabilidade que é estar criando alguém. Não sou o que eu costumo definir como boa mãe. Nunca soube sentar no chão e simplesmente brincar. Não sei conversar. Não sou carinhosa corporalmente, poucos beijos e abraços. Espero dele muito mais do que uma criança pode dar. Mas quanto amor. Às vezes tenho vontade de abraçá-lo e esmagá-lo contra mim até que ele se torne eu de novo e protegê-lo de todos e de tudo inclusive de mim. Às vezes olho pra ele e me dá uma grande vontade de chorar, fico comovida so de pensar que ele existe. Existe: tem planos, desejos, dores, vontades. Filhos, com certeza é melhor tê-los mesmo quando bebem xampu, provocam insônia, chupam gilete e ateiam fogo no quarteirão tudo ao mesmo tempo. Porque se não os temos, como sabê-los e como saber de nós mesmos?

9 comentários:

Liana disse...

Muito melhor tê-los!!!

Contra a Maré disse...

Imensamente melhor tê-los!!!

Adryana disse...

Muito melhor tê-los!!!!!! Queria ser assim, sabida que nem tu, pra escrever uma coisa linda assim para as minhas crias...

Aline disse...

Ai que fofooooooooo!!!

Aline disse...

Vamos causar uma explosão demográfica! Esse teu texto tá fofo demais, já espalhei para os 4 cantos do mundo, literalmente :)

Marília disse...

Não sou totalmente apta a responder,
mas...

Melhor tê-los!

Danielle disse...

É... é muuuuito melhor tê-los!!!!Lindo, amiga!

Anônimo disse...

"Sim, melhor tê-los."

Minha irmã falou essa frase há muitos anos atrás. Muitos anos mesmo. Ela teve um filho. Não, não digo isso porquê era meu sobrinho, mas foi o neném mais lindo que já vi na minha vida. Morávamos todos juntos na época. Ela precisava trabalhar. Eu pedia a ela "pelo amor de Deus" pra me deixar olhando ele. Eu o achava lindo! Nunca na vida tinha aprendido a trocar fraldas, e aprendi a trocar com uma rapidez inacreditável. Trocava com uma mão só. Ele vomitava em mim e eu não me importava. Limpava com a maior tranquilidade do mundo. Dormir? Rá! Passei 1 ano sem saber o que era isso: eu dormia segurando a mãozinha dele ao lado da minha cama (ele dormia comigo) pra caso ele acordasse eu acordaria junto. Aquela mãozinha branquinha, gordinha, a coisa mais linda do mundo. Eu olhava pra ele e babava na beleza dele. Ele chorava pouco, era um anjo de criança. Eu olhava pra ele e pensava: "Agora eu entendo porque todos dizem que filhos são benção! Um bebê é a coisa mais linda e fofa do mundo!" E eu carregava ele o dia todo, brincava, dava banho, fazia comida, ria das gracinhas dele, ele me abraçava, me dava beijinhos no rosto e eu me derretia igual uma manteiga! Nunca vi criança mais linda, fofa, carinhosa e meiga. Eu era a segunda mãe daquela criança, e o fazia com todo o gosto do mundo!

E eu queria que aquela fase durasse para sempre... queria mais do que tudo! Mas ela não durou para sempre. Pelo contrário: passou rápido demais! Passou inacreditavelmente rápido! E aquela criança linda, meiga, simpática e extremamente calma deu lugar a um homem de 1,80m. E mesmo tendo estudado no colégio mais caro da cidade, essa ex-criança que hoje tem um metro e oitenta (e nunca havia respondido ninguém) começou, influenciado por amizades obscuras, a responder a mãe e o pai dele. Começou a ameaçar a familia. Começou a dar desgosto para todos nós. Começou a dizer palavrões mandando os avós tomar c* e dizendo pra mãe pegar a opinião dela e enfiar na b*c*ta dela. Aquela criança nunca apanhou na vida. Chegou na adolescência se comportando feito um anjo! Não dava trabalho nenhum! E do nada, se transformou! Familia classe média alta, todos educados, todos bem estudados, e inexplicavelmente ele se transformou praticamente em um marginal. E o psicólogo disse: o comportamento dele tem a ver com caráter. Não tem cura! Vai ser assim pro resto da vida!

Quando eu vi no que ele se transformou, eu chorei. Abraçei a foto dele de quando era um bebê, o bebê mais lindo que já vi na vida! Abraçei a foto e chorei. E entendi o quê havia acontecido comigo: quando pensamos em filhos, pensamos nos bons momentos, no filho bebê, no filho que está sob a nossa proteção, que depende da nossa aprovação pra tudo... mas a gente esquece que essa fase passa. E passa muito mais rápido do que se pode imaginar! E essa criança cresce, e o que ela vai ser no futuro não depende de nós, e sim de uma série de fatores totalmente externas ao nosso alcançe. Essa criança estudava numa escola onde a mensalidade era do preço de uma faculdade de medicina, só tinha menino rico estudando lá dentro. A mãe o pós lá com o intuito de que ele fosse uma pessoa culta, decente, respeitosa, conhecedora de valores morais e éticos... e justamente lá ele conheceu meninos de familias milionárias que o transformaram em um marginal, pois quem tem dinheiro acha que pode tudo (pôr fogo em indigentes, em índios, e sair impune no final, e quase sempre o saem).

Anônimo disse...

CONTINUANDO...

Naquele momento eu percebi meu erro: eu me prendi ao presente, e esqueci que todo presente reserva um futuro. Um futuro incerto. Percebi que por uma condição naturalmente humana nós muitas vezes nos prendemos a uma fantasia que nos impede de enxergarmos as coisas do jeito que elas realmente são. Filhos crescem! A fase de ouro passa! E depois que essa fase passa, aí é que o fardo se faz presente.

Eu olhei pra minha irmã. Uma mulher que viajou o mundo inteiro, já foi capa de revista, mesmo depois de ter tido um filho ela continuava linda de morrer... e agora vive deprimida chorando pelos cantos, outro dia nos disse que pediu a Deus para que a levasse embora pois ela não aguentava mais... vi isso de uma pessoa que deu a vida pelo filho, deu a melhor educação possível, conversou, dialogou, e no final esse filho só lhe trouxe sofrimento. Isso foi há anos atrás, hoje ele já é adulto, e como disse o psicólogo: foi irreversível! Nunca mais melhorou!

Eu ainda não havia decidido se teria filhos ou não. Mas depois de presenciar não só este caso como vários outros (de mães que tiveram suas vidas acabadas depois que os filhos cresceram), eu decidi:

Filhos? Melhor não tê-los! Indiscutivelmente!

Meu marido concordou comigo e ficou feliz e aliviado. Me confessou que nunca quis filhos. Agora vivemos ambos aliviados, por termos decidido não pôr em risco nossa atual felicidade em decorrência de um pequeno ser que, corrompido pelo mundo, pode vir a acabar com as nossas vidas.

Não, eu não arrisco!
Sim, eu sei! Sei que quando ficar velha vou ser abandonada em um asilo.
Mas eu não me importo. A melhor amiga da nossa mãe teve 14 filhos e mais de 20 netos, e sua última moradia foi num asilo pútedro. O asilo foi seu único lar até o dia da sua morte.

Não me importo de ir parar num asilo igual a nossa conhecida, mãe de 14 filhos, foi parar. Tudo que eu quero é viver minha fase adulta e inicio da terceira idade em paz, sem correr os riscos que as mães correm quando põem filhos no mundo.

Estou feliz demais com minha decisão. E filhos? Não, esse assunto não me ilude mais. Vi com meus próprios olhos que muito disso é ilusão, e infelizmente algumas pessoas enxergam isso tarde demais. Eu enxerguei a tempo, e nunca mais voltarei atrás.