sábado, 30 de maio de 2009

Por favor, alguém segure meu cérebro ou...

como sugeriu minha irmã: Puxe a cordinha que eu quero descer! Explico: estava tomando banho, pensando – pra variar – em você, e meu cérebro começou a trabalhar independente da minha vontade. Enquanto lavava os cabelos pensei no post que vou colocar a seguir, inteirinho, palavra por palavra e, de quebra, ainda refleti e modifiquei a metodologia da aula de Psicologia, selecionei mentalmente um texto para meus alunos de Metodologia Científica, preparei a reunião do meu grupo de pesquisa, planejei uma estratégia promocional pra casa d’Ávila no Fim de Semana dos Namorados, pensei no seu concurso e onde conseguir mais material pra você estudar, e, não sei como, uma parte da minha memória, durante todo este processo, ficou cantarolando uma música do Vinícius que, aliás, está no texto que vem. É coisa demais.
Saí limpinha por fora, mas um bagaço por dentro. Às vezes não é confortável pensar tanto assim em tantas coisas porque geralmente não realizo nem a metade e a culpa de desperdiçar tantas idéias legais me corrói. Qualquer dia vão tirar um Raio-X e descobrir que não tem mais nada dentro de mim e que me mantenho em pé só por desconhecer que devia cair. È difícil conciliar processo mental e cotidiano. Aqui dentro muitas coisas são possíveis, uma puxa a outra, as idéias se atraem e se colorem mutuamente. Aqui dentro sou rápida, organizada, articulada. Aqui dentro as coisas são lógicas, lineares, compreensíveis.
O problema, como alertou Garrincha*, é que ninguém combinou como time adversário; ou seja, lá fora é tudo muito mais complicado. Lá fora eu sou desajeitada, desarticulada, esquecida. Lá fora são coisas demais pra fazer, o relógio sempre chega antes de mim, tudo parece irracional. Esse é um dos motivos de eu te amar tanto: no teu abraço aqui dentro e lá fora rapidamente parecem lá dentro e aqui fora, ou mesmo láqui foradentro. Você acalma e complexifica minha vida interior e me recorda que a vida interior é exterior, é aqui fora que se vive, se ama, se goza, se morre.


* O folclore sobre Garrincha narra assim esta estória: Garrincha detestava duas coisas: educação física e as preleções dos técnicos. Esquemas táticos? Soavam-lhe como palavrões!
Jogadas criativas e dribles sempre para a direita eram suas características. Claro que seus marcadores sabiam disso. Mas, qual o quê! Levavam a pior!
Na Copa de 1958, véspera do jogo contra a Rússia, então URSS, a preocupação era Tsarev, temível lateral incumbido de uma missão impossível: segurar Mané.
O técnico Feola se esmerava junto ao nosso craque: “quando o Tsarev vier em disparada, passe a bola. Quando o outro beque vier pela direita, drible pela esquerda...”. Enfim, havia mil recomendações, cabendo as iniciativas aos russos.
Na sua simplicidade, Mané Garrincha lança a pergunta demolidora:
– O senhor já combinou tudo isso com os russos?
Presente naquela memorável partida, Nilton Santos conta que “os russos começaram marcando mano a mano. Tsarev foi o primeiro a ser abatido por Garrincha. De repente, um amontoado de russos estavam em volta dele. Era hilariante o desmanche que Mané fazia por ali”.
Foi um jogo memorável e uma grande vitória de 2 x 0, com o nosso craque jogando à sua maneira.

4 comentários:

Liana disse...

Também detesto desperdiçar boas ideias (sim, sem acento!)

ALEX disse...

Existe uma grande lacuna entre pensar e realizar, mas gosto da idéia de planejar, conjecturar mesmo que estes planos não se realizem ou correm como pensamos

Contra a Maré disse...

Já eu... pelejo para tê-las...

Ana disse...

Luciana, que blog lindo! Podia deixar um recado la no topo, no post mais recente, mas eh que eu adoro o Garrincha :)
Beijo, saudade!

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