quarta-feira, 6 de maio de 2009

Cartas a meu Nelson Algren...


É madrugada. Sinto-me só. Sinto-me tua. Começo aqui a narrativa de um vazio. Ou de uma inundação, ainda não sei dizer. Inunda-me a necessidade de ti, da tua voz, do teu corpo, da tua solidão que se faz acompanhar da minha. A distância entre Mossoró e Fortaleza assemelha-se, para mim, à distância entre Paris e Chicago quando os vôos transatlânticos eram uma audácia. É uma audácia esperar um janeiro ainda tão distante. As palavras, eu as escrevo como pontes, mas bem sei que uma ponte apenas reafirma o abismo. Nelson uma vez afirmou à Simone que a amava porque a fazia feliz. Você sabe que me faz feliz. Até quando estou triste de saudade como hoje, sou feliz, porque sei, numa sabedoria morna e saciada, que esta dor morre no teu próximo abraço e recomeça só para tornar a perecer. Então, que venham os longos dias e as noites angustiadas, ser tua é maior do que ser, apenas. 

2 comentários:

Aline disse...

Minha querida amiga,
Você tem mania de inventar formas inusitadas de estar perto. E agora, suas palavras (ou seus pitacos) tão necessárias, estão aqui neste blog, que, tenho certeza, me fará sentir menos só!
"...porque não somos um só, embora seja divertido fazer de conta, às vezes, que sim."

Contra a Maré disse...

Lindo...

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