quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Sobre o nome do blog e outras confusões


O mar é minha terra vermelha de Tara.

Chegou o livro/chegaram os livros daFal. É tão encantador que a gente se perde neles. Uma alegria poder dizer a alegria de ler a Fal não só aqui, mas também no prefácio do livro.

Já não tenho paciência pra explicar certas coisas que eu nunca precisei que me explicassem.

Há coisas complicadas de escrever sem um grande preâmbulo, notas de pé de página, esclarecimento de conceitos, etc. Mas vamos só meter os pés no peito: fortalecer a justiça criminal e alimentar o punitivismo vai dar ruim. Sempre.

Não é que eu não frequente o twitter. É que eu não sei papear por lá e papear é das coisas que ainda animam minha existência. No twitter me parece que estamos sempre gritando de uma janela de apartamento pra outra, sem ter certeza que o dito vai valer a pena quando enfim chegar na outra pessoa e entre uma janela e outra, lá embaixo, tem o parquinho zoadento e um monte de vizinho desocupado.

Sobre o nome do blog e outras confusões. Quando eu criei este blog eu não tinha nenhum afeto especial por borboletas. Não é que eu não gostasse delas, mas a despeito do que tanta gente entendeu, este espaço e os textos que aqui insisto em cometer, não eram sobre mudança, metamorfose, transformação ou ser mais bonita um dia (até porque sempre me considerei outra coisa que não bonita, interessante, desejável, whatever, bonita nunca esteve nos planos). O nome do blog é/era sobre incômodo. Asas esvoaçantes dando aquela agonia, bordejando ao redor dos olhos, encostando, roçando, atazanando. É assim que ele se sustenta e me sustenta: tentando dizer o impossível, dar sentido ao real que escapa nas entrelinhas. É assim que ele me sustenta e se mantém, tratando do que arde, das minhas feridas de Quíron, do vazio ao redor do qual a subjetividade se estrutura e se determina. O blog, este blog, é desassossego. Mas daí as pessoas começaram a me chamar de Borbs e como não amar quem tão generosamente se dispõe a gostar de nós?


Eu penso em mim como fumante. Uma pena eu não conseguir fazer jus a esta auto-imagem. 

Parar e descansar bem de bouas e desligada de tudo é uma arte que eu dominava.

É entrar no mar e reencontrar o equilíbrio do corpo. Não é seguir com as ondas, não é ficar rígida, é se deixar mover, sentir que dentro e fora é apenas um jeito de organizar o espaço, antes e depois é somente a forma de nomear o tempo. É ver o mar, sentir seu cheiro e entender o que é necessário entender, esquecer o que é necessário esquecer, acolher o que é necessário acolher, deixar ir o que já não deve ficar. O mar é o único lar que faz sentido pra mim. Ou seu abraço.

Horizonte: licença-capacitação.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Voltar


Voltar a escrever não para ser lida, mas para ser amada.

Volta, vem viver outra vez ao meu lado, não consigo dormir sem teu braço, pois meu corpo está acostumado... até consigo, mas gosto mais de dormir de conchinha.

Nem sei quantas vezes já vi Voltar a Morrer, mas nunca vou esquecer o que pensei na primeira vez que assisti: eita povo pra ficar bonito em preto e branco.

Quase sempre em preto e branco é, aliás, o nome do meu tumblr. Tumblr este que fiz, sem muito gosto ou vontade, só pra ficar perto de gente querida que lá estava. Hoje, apegada, deixo de frequentar com o coração apertado. Volto pra seara das palavras, mas fic(o)a faltando um pedaço.



Mas, falava eu sobre Voltar a Morrer, outra coisa que continua me impressionando é que é um filme que usa bem os recursos, nenhuma cena, palavra, ângulo ou ator é desperdiçado no processo. E, principalmente, há precisão nas emoções. Nenhuma ausência, nenhum desperdício. O desejo, o medo, a saudade, alguma crueldade, ternura, desprezo, amor.

A gente nunca volta pro mesmo lugar, nem se banha no mesmo rio, tal e coisa, coisa e tal, mas a gente fecha o olho, prende a respiração e mergulha na memória como se.

Tem um ponto a partir do qual não tem volta. Uma linha imaginária, atrás da qual quem lá se posicionou é envolto em névoa densa. Não é raiva, ódio, não é nem mesmo desprezo (embora seja ele, rancoroso, quem acentue a linha, de vez em quando) é desparecimento. A pessoa que lá chegou vai perdendo ,pra mim, materialidade. Esqueço sua voz, seu corpo, seu nome, e vou esquecendo, como quem apaga, o que senti por ela.

Eu tinha coragem de. Tinha? Tenho. Acho. De outra vez um abraço, o mesmo, outro. De mais um beijo. E mais. E tantos. Fazer o que não sabia que devia ter feito só para, agora, poder dizer: volta pra mim, mesmo sabendo que não estou mais lá. Nem aqui, talvez. 

A verdade é que ser amada me estragou. Caminho sem volta. 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Madame Interior


Ligar a televisão imediatamente antes da cena com a declaração do Harry.

Lembrei dos maravilhosos casacos/sobretudos de Bletchley Circle e “tive” que rever uma temporada inteira.

“devemos lembrar que os esquecemos” – é isso mesmo, Sally.

Encontro os amigos no bar e minha madame interior logo se manifesta: agendo viagens, combino festas, marco eventos vários. Segunda feira e emerge a verdade: o mês nem tá na metade e eu não tenho dinheiro nem pra pedir uma pizza que dirá alugar um buffet ou passar o fim de semana em Salvador.



 Pão com nata e café com leite. 

O que aprendemos com os bons filmes? que eles podem receber subtítulos horríveis. Tudo que Harry e Sally não são é pré-fabricados um pro outro, tudo que eles não são é um encaixe fácil, uma atração física avassaladora, uma irmandade de almas afastados temporariamente por situações confusas ou pessoas mal intencionadas. Eles nãoo são feitos um para o outro, eles constroem um vínculo, constroem um afeto um pelo outro e, neste processo, descobrem-se importando-se em estar (e não ser) um para o outro.

Meu amigo me disse que eu fiquei mais exigente. Eu sustento que não, eu apenas fiquei menos sortuda. 

O leitor de dvd do notebook quebrou e as “fitas” de West Wing ali, implorando para serem vistas. Pois é, eu de vez em quando chamo dvd de fita, aparelho de som de radiola e homem bonito de pão. 

Todo mundo recebendo seu livrinho e o meu nem saiu de Curitiba. 

Gregory Peck de pistoleiro: não orna tanto. Gary Cooper, sim. 

Eu sinto muita saudade da vida que nós podíamos estar vivendo.

E do país que podíamos estar construindo.

Não faço idéia de como conseguiremos sobreviver. Eu estou entre os não sei quanto por cento mais ricos. Eu tenho salário fixo. Eu moro só. Ainda assim vou ao supermercado e volto sem um pedaço de queijo porque tá caro, tá caro demais.

Se eu mal consigo decidir entre coisas que gosto mais, magina se boto fé que alguém consiga dizer qual o melhor desfile de escola de samba de todos os tempos.

Pessoas que não entendem porra nenhuma sobre torcer. Uma vez eu concordei com o João Luís Jr e falei que desejava, pra quem não gosta de futebol, que tenha pelo menos alguma coisa parecida, na vida. Mas, hoje, lendo o que ando lendo, só sinto mesmo a distância e um certo desprezo.

Eu preferia o Oscar quando era aquele cansativo evento de 12 horas. Meu cérebro deu tela azul ao saber que não vamos ver a entrega do prêmio de melhor fotografia na maior premiação de cinema.

A verdade é que estou dopando não só a madame interior como todas as demais residentes porque viver não está nada fácil.

PS. Gostaria de avisar que existe Bletcley Circle San Francisco. Se alguém souber como assistir, agradeço.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Luz, Câmera, Emoção


Chega a época das premiações, aquele momentinho pré-Oscar e as redes sociais se enchem de comentários sobre os filmes (inclusive meus) que vão de elogios empolgados até a execração de uma produção (tipo eu falando de Vice). Tem ainda quem comenta dizendo (espero que eu não) “não sei como alguém pôde gostar disso!” (Murphy: quase sempre esbarro em comentários assim sobre algum filme que eu amei muito). Antes eu lia algo assim e ia lá argumentar porque eu tinha gostado ou não. Depois, fui parando. Hoje escrevo na minha TL, no meu blog e eventualmente se for solicitada minha opinião, no status de algum amigo.

Pra mim ficou meio tosco defender algum gosto meu. Porque é isso que é: gosto e meu. Passo melhor o tempo ouvindo a Salmaso buarquear. Ou vendo faroeste no Telecine Cult – sim, eu amo John Wayne, eis o tipo de pessoa que eu sou.

E é isso. A gente nunca vê os mesmos filmes. Porque o filme que vemos, vemos com nossa história, nossos prazeres e desprazeres anteriores, com nossas convicções sobre cinema, vemos com nossas preferências, receios, amores, expectativas. Os filmes que mais gosto são os que ecoam em mim depois que acabam. Fazem eco com amores passados, fazem escavações para vivências futuras. Luz, disse Fellini. Horizonte, disse Ford. E boas palavras, espero eu.

Eu gosto de filmes que se demoram, como aquele instante interminável entre o momento que lábios deixam nosso pescoço e voltam a ele.

Uma coisa que realmente mexe comigo é aquele respirar pesado juntinho ao meu cangote.

Em 1995 o cinema fez 100 anos e eu, 20. Eu ainda lembro de ficar acordada até tarde pra ver os programas da Globo, Fátima Bernardes e Renato Machado bem bregas de roupa de festa, em pé, apresentando episódios que foram de Fantasia a Musicais passando pelo erotismo, riso e aventura. Cem anos luz, era o nome. O cinema me emociona. Você também.

É complicado: quando você não está, corredores vazios no peito, ar encanado, um oco que lateja; quando está há lotação, fica tudo apertado, hora do rush no coração.

A verdade é que a disputa entre os filmes concorrentes ao Oscar (dos que vi até agora) não incendiou meu coração. Ano passado me arrebatou, eu chorava e xingava na frente da tv (Me chame pelo seu nome, Dunkirk, The Post, Trama Fantasma, Projeto Flórida, Eu, Tonya) 2017 não fez feio com La la land, Moonlight, A Chegada e Um Limite entre Nós e mesmo 2016 teve meu querido Brooklin, teve O Quarto de Jack, Ponte dos Espiões, Spotlight e Trumbo. Este ano traz alguns pontos altos como as interpretações em A Favorita, a imensa Glen Close na Esposa, o interessante Infiltrados na Klan, o tocante e inesquecível e primoroso Roma, a boa química entre Viggo Mortensen e Mahershala Ali, mas nada que se compara à paixão que me mobilizou nos anos anteriores.

Sim, eu gostaria de viver em West Wing. Na verdade eu gostaria de viver em Grey's, mas sabendo que em algum lugar, na impossibilidade de ser sustentada por um Doniphon, a equipe do Bartlet tá segurando as pontas.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

É preciso alguma paixão


Eu não aguento mais a burrice. Stálin com dois prêmios Nobel da Paz, me abana, pelamor.

O clip Daniela Mercury + Caetano é uma lindeza. E eu choro de soluçar.

Como disse o Wagner Moura, acabou a verdade. Não a Verdade de V maiúsculo que quem acha que tem todas as respostas abana na cara alheia (pelo contrário, essa se alastra entre os X#@%&##@ (insira aqui a palavra que você pensou). A verdade que vem da reflexão sobre fatos e eventos. As pessoas não se questionam, não ponderam. Na voz do Rogerinho: cabô, verdade, cabô, cabô. E isso me deixa angustiada.

Nota técnica com mudanças na Política Nacional de Saúde Mental e eu entre a imensa tristeza e a raiva avassaladora. Recuamos pros anos 80 ou pior. Tenho nem o que dizer, é um desprezo pelo conhecimento, pela ciência e um enorme descaso com a vida das pessoas.

Ninguém pode dizer que eles não estão tentando cumprir - e rápido - grande parte do que prometeram. Educação Moral e Cívica ressurgirá, gravação de aulas nas escolas públicas, nota técnica regredindo a atenção à saúde mental pra época pré reforma psiquiátrica, o pacote do Moro liberando tortura e assassinato por parte de policiais, a reforma da previdência junto com os cortes no bolsa família acelerando o retorno da miséria, censura velada a bens culturais e antagonismo explícito com a mídia, moralismo nos órgãos que deveriam promover a igualdade... Só ficou faltando a parte do combate a corrupssaum, mas, sei lá, seguindo o exemplo da ditadura militar vai ver que a máxima é: o que os olhos não vêem, o coração não sente.

Neste momento estou muito apaixonada pelo chefe dos bombeiros. E pelo capitão. E pelo tenente #vadiatambémnasséries. O chefe tá meio com a vantagem pela química sensacional com a Vic.



Shonda consegue criar universos que me conquistam (tirando aquele chatice que é Scandal). Gosto daquelas séries que eu posso até esquecer o que aconteceu mas que me faz sentir saudades dos personagens e é exatamente assim que estes universos de Shonda me ganham.




Pois é, eu enchi o post de homem gostoso porque... eu quis.

Consegui ver todos os concorrentes ao Oscar de Melhor Filme (ainda faltam alguns pra completar as categorias principais como melhor ator e tal). Fica assim meu coração:
1. Infiltrado na Klan
1. Roma
3. Green Book
4. A Favorita
5. Pantera Negra
6. Nasce uma Estrela
7. Bohemian Rhapsody
...e Vice, nem devia estar na brincadeira (okay, Bohemian também não, foi uma homenagem legal mas é um filme bem marromeno, né).

Tenho férias em abril, não tenho dinheiro em abril pois recebi e gastei o dinheiro das férias em janeiro. Quero ver pessoas amadas (mas) também quero ver o mar (mas) quero conhecer lugares novos (mas) quero reencontros (mas) quero descanso (mas) quero boteco e baladinha (mas) quero ficar só (mas) preciso de gente (mas) quero ficar com a família (mas) quero ir ver ozamigos (mas) quero viajar pelo Brasil (mas) quero sair e respirar américa do sul. 

Ou seja.

E tem comida que acalanta. Linguiça com batata ao molho. Daí coloca em cima daquele arroz soltinho, amassa a batata, tudo meio fumegando e manda ver. É pior que amendoim, enquanto tiver eu tenho vontade de ficar comendo.

O barulhinho da chuva às vezes me dá vontade de chorar.

Não sei como dizer sem machucar (e ao fim e ao cabo nem sei direito a quem machuca) mas entre nós há mais que fuso horário e geografias.


Não é nada, não é nada mas agora tenho uma fonte, uma poltrona azul e uma luminária amarela. E muitas cartas fora do envelope.

Sim, ainda tenho coisas por dizer.

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