segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Deu Ruim

Luciana, você não se arrepende de nada? Eu me arrependo de todas as vezes que não chorei quando fui embora de algum lugar. Eu sei, mas esqueço, que nunca voltamos. 

Você quer fugir, amor. Eu também quero. Pra longe da eu que enfia o pé na jaca. Pra não saber que erro. Que derrapo. É assustador demais ser essa pessoa que também faz merda. E mais ainda não ser só ela. Sentir a responsabilidade. O arrependimento. A solidão. E perder a ilusão de que ser adulto é, enfim, fazer tudo certo. Ah, Karev.


Quem assiste Grey’s Anatomy sabe que deu ruim na vida do Karev. E ele tá lá, todo ensimesmada e entristecido porque parece que não vai pra frente. Ele tenta, peleja, faz o que pode pra ser a pessoa que ele quer ser e de repente parece que todo esforço foi vão e ele está no mesmo lugar de antes. Pior que antes.

A vontade que eu tenho é de ir lá dizer pra ele que não. Não é assim. Errar, enfiar o pé na jaca, trocar os pés pelas mãos, tudo isso é da vida, vai rolar. O que fazemos quando fazemos isso é o que nos define. Eu queria dizer isso pra ele porque eu queria que alguém dissesse isso pra mim. Porque eu queria dizer isso pra mim.

Grey’s Anatomy nunca me decepcionou na forma como trata temas ditos polêmicos. Aborto? Mulher quem decide. Separação? Não tem vilão. Transgêneros? Devem ser respeitados como qualquer pessoa cis. Idosos com tesão? Viabiliza o sexo. Jovens com tesão? Viabiliza o sexo. Foram muitos os assuntos não vou lembrar de tudo, e a abordagem, de todas que me lembro, certeira. Agora, espero, acertem também ao tratar do punitivismo cotidiano que nos faz demandar, como sociedade, prisão, reclusão, vingança e não inserção social, acompanhamento terapêutico, retribuição social.

Eu esperei muito pra ver o primeiro episódio da décima terceira temporada e, quando consegui, tudo que eu queria era apertar um botão e pular pra parte em que tudo fica bem. Não é preciso muita sensibilidade pra saber que continuo falando de mim.

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- Lealdade cega?
- Não é cega, ele a conquistou.
Porque você vê Grey's? Porque tem os diálogos da minha vida. Mais, tem os diálogos que eu escreveria, se soubesse escrever.




sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Pudores

Quando eu era menina/adolescente e ia sair de casa minha mãe sempre perguntava se eu estava usando peças íntimas apropriadas. Apropriadas pra quê? Pro caso de eu sofrer um acidente, chegar no hospital e os enfermeiros e médicos não se depararem com uma calcinha foló ou algo assim. Óbvio, né? Um dia desses a Fal escreveu sobre ir arrumadinha fazer recado na esquina, vai que se encontra o grande amor? Mais fácil ele lhe reconhecer “se você estiver de de camisa de florzinha e brinco bonito”. Só uma pessoa mutcho louca feito eu liga essas duas coisas, eu sei, e fica pensando se o amor da vida é um motorista distraído ou um enfermeiro atencioso. Brinks. Na verdade fiquei pensando que o amor é um acidente grave e inesperado para o qual devemos estar preparados e eu nunca estou. Estou sempre de calcinha de algodão furada.

Eu não costumo brigar. Não é porque sou legal. É que tenho muita dificuldade de voltar atrás.

Faz tanto tempo que estou indo embora que nem saberia ficar. Que não sei. Me desculpe - escrevo aqui, não digo lá e sei que é dar mais uns passos. 



Eu tinha desistido de ver The Affair mas a vida me deu uns solavancos tão intensos que voltei por motivos de: Pacey. Não me arrependi, especialmente porque na 2a temporada tem muito mais Pacey#AleluiaIrmãos. Gosto muito do personagem dele. Dá vontade de construir uma vida inteira junto e, olha, é bem raro eu sentir qualquer coisa vagamente parecida. É que ele tem uma coisa confortável e segura. Claro que é seguro pensar isso sobre alguém que não existe. Aproveito muito filmes, séries, livros para sentir coisas que não sinto na “vida real”. Por exemplo, todo mundo sabe o que acho de casamento, infidelidades, monogamias e eteceteras no mundo real. Mas estou aqui, com Maura Tierney como personagem preferida, exercitando todo meu TFP. 



Tem uma conversa entre amigas, eu penso em contar uma coisa minha, pra dar exemplo. Paro, recuo, desisto. Passa um status de conhecido com uma pergunta banal. Penso em responder, porque não? Paro, recuo, desisto. Dói um sentir que, bem sei, se escrevesse sobre amainava tempestades. Paro, recuo, desisto. Quando estou quase acreditando que sou uma pessoa, sei lá, discreta, recordo que posto aqui meus dicumê tudo, passeio de fim de semana, medo primordial, contas a pagar e gargalho – publiquei isso no FB e algumas pessoas comentaram relacionando a um clima tenso na rede social que acaba produzindo atitudes reservadas e menos interação. E é uma postura válida – e eu cultivo – mas nem era nisso que estava pensando. É que eu tenho pudores insuspeitos. 
Eu acredito na alegria. Ela é que não tem acreditado em mim.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Pé Ante Pé

Andam pela rua em um passo desigual. Param em frente a vitrines como se houvesse interesse, apenas pra tentar recomeçar em sintonia. Quase. Quem sabe é este. Quem sabe é ela. Uma vitrine confusa, manequins sem cabeça em roupas estampadas, demasiadas quinquilharias por todo lado. Loja de $1,99. Barato, banal. Ainda assim. Quase. Pode ser. Ela. Ele. Na loja ao lado, depois da insistência no alto-falante sobre preços e promoções, um curto silêncio e a música. Ele retesa o corpo, ela muda o peso do corpo de pé. Será que? A música não fala de amor. Alguém suspira, em alívios. Já não há espaço ou tempo para isso. Acertar o passo bastaria. Vais por ali? Pra onde vais tu? Por aqui – e porque falamos na segunda pessoa, pensa ela, sabendo a resposta. Vou contigo mais um pouco. Desde que não se fale de amor, pois claro. Andam devagar, como se pudessem descobrir o que é preciso antes de chegar lá. Um estende a mão, recolhe antes que o outro perceba, o outro tateia o vazio. Mais uma vitrine desinteressante, a parada que arrasta o encontro, a fumaça, o centro da cidade sempre cheio, os esbarrões bem vindos que forçam que seus corpos se aproximem.  Há tempos não tomo caldo de cana, diz ele, forçando na voz uma certo distanciamento analítico quando passam em frente a uma série de lanchonetes. Pena que não tens tempo hoje, ela diz, como quem espera ser desmentida, zombando internamente se si mesma e do insistente uso da segunda pessoa do singular. Até poderia, se já não tivéssemos passado… agora é um balé delicado. Negar como quem afirma, deixar espaços. Vamos voltar, ainda estamos perto, diz ela – primeira pessoa do plural. Quem sabe é ela. É ele. Um estende a mão, o outro aperta antes que seja recolhida, os passos desiguais no mesmo ritmo, a lanchonete apertada, o caldo de cana gelado, pastel com azeitona, a placa avisa: cuidado com o caroço, eles riem, alguma conversa, joelhos se tocam embaixo da mesa. Não há como saber. Não há um ele. Nem uma ela. Há, se e quando, nós.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Nem É

Bazunça. Era assim que o filho dizia. Cabe o termo. Pra cama, pra cozinha, pra bolsa. Pra vida.

Eu devia reler “A Convidada” da Beauvoir, mas tenho medo.

As pessoas erradas. Uma idéia de festa desperdiçada.

Às vezes não é tristeza. Às vezes não é gostoso. Às vezes não é preguiça. Às vezes não é maldade. Às vezes não é a hora. Às vezes não combina. Às vezes não machuca. Às vezes não alenta. Às vezes não dá certo. Às vezes não dá tempo. Às vezes não se esquece. Às vezes não se entende. Às vezes não é.



Eu nunca me imaginei regionalista mas tem dias que até pessoas muito legais da cintura pra baixo do Brasil me entendiam e/ou me exasperam de tal forma que canto a sério o repente.

De vez em quando, com algum espanto, me pego com pequenos rompantes de inveja e anseio por aquilo que já rejeitei. Não demora a passar, não sem antes um pequeno riso auto-indulgente e a certeza de que voltaria a dispensar se novamente me fosse oferecido. Mas, no pequeno intervalo, eu lembro que ainda sei doer.

Eu não sei fazer literatura mas tudo que escrevo é ficção.

Estou procurando um texto. Ou, mesmo, uma frase. Pelo menos uma. Que seja bonita e potente. Que diga um encanto. Que adormeça o dor. Que abra uma janela. Que seja espelho. Ou desfiladeiro. Que convide. Que acolha. Que possibilite. Que mareje o peito. Uma frase. Um texto. Uma entrelinha que seja. Que não chega.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Garrafinhas (Para) Olímpicas 16: Correndo, Também Eu

Hoje não tem post elaborado, a vida está corrida e as provas de natação já começaram, assim como a esgrima. Ficam só uns pensamentos esparsos: o Daniel Dias falou que pretende realizar pelo menos mais um ciclo olímpico. Ouvi no Conexão Sportv que o número de pessoas com deficiência na China é quase igual à população brasileira. Pelos dados do IBGE, 6,2% dos brasileiros tem algum tipo de deficiência. Vale a pena conhecer a história de Michael Brannigan, medalhista que foi treinado com assessoria do Joaquim Cruz. O único representante do Paquistão ganhou medalha. Odair Santos ganhou a sua segunda medalha de prata. E teve medalha de ouro no revezamento, uma das minhas provas mais queridas no atletismo. 




09hs – Esgrima de Cadeira
09hs – Tiro com arco
09hs – Goalball masculino
10hs – Bocha Individual (José Carlos)
10h30 – GoalBall feminino
11h – Bocha Indvidual (Dirceu)
11h30 – Tênis de Mesa (equipe)
12h – Bocha Indvidual (Eliseu)
13h – Tênis de Mesa (equipe)
13h15 – Bocha Indvidual (Antônio Leme)
16h – Bocha Indvidual (Maciel Santos)
16h30 – Tênis de Mesa (equipe)
17h – Bocha Individual (José Carlos)
17h30 – Finais de natação
18h – Tênis de Mesa (equipe)
19h – Futebol de 7
19h – Bocha Individual (Dirceu Pinto e Eliseu)
19h15 – Rugby
19h30 – Tênis de Mesa (equipe)
21h – Basquete em cadeira de rodas

Atletismo
10hs Primeira fase dos 5000m rasos feminino, T54 (Aline Rocha)
Final do arremesso de peso masculino, F53: final
Primeira fase dos 100m rasos masculino, T42
10h15 - Final do arremesso de peso feminino, F12 (Izabela Campos)
10h17 – Primeira fase dos 5000m rasos feminino, T54 (Maria de Fátima)
1500m masculino
Final dos 100m rasos feminino, T35
Final do lançamento de dardo masculino, F13
Final do salto em distância feminino, F37
11h17 - Final dos 400m rasos feminino, T38 (Verônica Hipólito)
Primeira fase do 800m rasos masculino, T53
11h50 - Semifinais dos 200m rasos masculino, T11 (Daniel Silva e Felip Gomes)
12h13 - Semifinais dos 100m rasos masculino, T12 (Diogo)
17h - Primeira fase dos 400m rasos feminino, T11
Final do arremesso de peso feminino, F34
Final do lançamento de disco feminino, F52
17h48 - Final do arremesso de peso masculino, F37 (João Victor)
Final dos 400m rasos feminino, T34
400m rasos feminino, T34
Final do 800m rasos masculino, T34
18h07 - Primeira fase dos 400m rasos masculino, T44 (Alan Fonteles)
Final do salto em distância masculino, F47
18h26 - Final dos 400m rasos feminino, T47 (Teresinha de Jesus)
18h49 - Final do revezamento 4x100m feminino, T11-13
Primeira fase do 800m rasos masculino, T54
Primeira fase dos 200m rasos feminino, T44

Natação
Eliminatórias dos 100m peito masculino SB8
Eliminatórias dos 100m peito feminino SB8
09h38 - Eliminatórias dos 400m livre masculino S7 (Italo Pereira)
Eliminatórias dos 400m livre feminino S7
09h54 - Eliminatórias dos 100m peito masculino SB14 (Felipe Vila Real)
10h05 - Eliminatórias dos 100m peito feminino SB14 (Beatriz Carneiro)
10h13 - Eliminatórias dos 100m costas masculino S12 (Thomaz Matera)
Eliminatórias dos 100m costas feminino S12
Eliminatórias dos 100m borboleta masculino S11
Eliminatórias dos 50m peito masculino SB2
Eliminatórias dos 50m peito masculino SB3
10h41 - Eliminatórias dos 50m peito feminino SB3 (Rildene)
10h51 - Eliminatórias dos 50m livre masculino S13 (Guilherme Silva, Carlos Farremberg)
Eliminatórias dos 50m livre feminino S13

Eliminatórias do revezamento 4x100m livre masculino 34 pontos
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