terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

C'est si bon de partir n'importe ou (V)

Estive em Notre Dame e esta foi uma das maiores emoções desta viagem. Fiquei tomada, no primeiro momento, pela evidente espiritualidade do lugar. Embora turistas ávidos andassem pra lá e pra cá e as maquininhas de vender estivessem postadas por todo lado, a catedral me falou, claramente, de fé, devoção, falou-me de homens e mulheres ajoelhados e ansiando por uma completude que o sentimento religioso parece proporcionar. Ficar pleno de Deus. Isto parece quase possível em Notre Dame. Eu poderia falar e falar e não conseguiria descrever como eu me senti ao ajoelhar-me e adorar o Santíssimo numa das capelas laterais, nem poderia dizer como foi tocante encontrar a capela de N. S. de Guadalupe e acender uma vela com muita fé de que os desejos de Aninha vão se realizar. A seguir, comecei a perceber outras coisas mais terrenas (a seguir, aqui, é apenas um jeito de organizar o texto, entrar lá me fez sentir tudo ao mesmo tempo agora, pois bem, continuando...) como a beleza dos vitrais, os quadros, o teto, as colunas...e, principalmente, a trilha sonora. Há música em Notre Dame. Uma música pungente e inspiradora. Genial. A música me envolvia, atravessava-me, doía e encantava, dava vontade de dançar e, no mesmo momento, uma necessidade inexplicável de simplesmente parar e contemplar o que quer que fosse. Se eu não tivesse que comer, dormir, estas coisas assim, talvez eu ainda estivesse lá, admirando Notre Dame. E, eu ainda nem falei dos tesouros. Eu percorri os corredores dividida entre os vitrais e as mesas/estantes de exposição. Tudo me aprisionava o olhar, eu via tudo com um medo incrível de ficar cega e não ver a próxima coisa, o próximo objeto. E, eu não preciso nem escrever pra quem me conhece, Anthony Quin me acompanhava neste caminho todo. Inevitável recordar Quasímodo em tantas versões e línguas diferentes. Não posso negar que,em determinado momento, senti-me destoante como o Corcunda, um medo danado de esbarrar nas coisas, tentar fotografar em um lugar proibido, fazer uma besteira qualquer...Mas a seguir Notre Dame me acalentou, acolheu, acalmou. Ah, ainda não mencionei, Notre Dame é escura. Deliciosamente escura. As cores em Notre Dame se apresentam ainda mais belas pela discrição da construção. Sei lá. Eu não entendo de arte e muito menos de arquitetura, falo apenas do meu coração pulsando, pulsando, pulsando e a beleza me perseguindo até em sonhos e se confundindo com filmes e memórias. Notre Dame é uma dama, verdadeiramente. De uma dama não se pergunta a idade, a gente sequer se preocupa com isso. De uma dama não se espera chamego, mas nos sentimos gratos com o sutil acolhimento. Uma dama sabe se impor e se diferenciar sem precisar ostentar nada. Uma dama é sóbria na apresentação mas na intimidade é cálida e surpreendente. Eu sei, já li romances. Notre Dame é, agora, Ma Dame. E eu a amo.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Notre Dame

Hoje visitei Notre Dame, mas amanha escrevo que hoje estou muito cansada...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Piccolo dizionario: il miglior dizionario italiano consultabile gratuitamente

Este post eh so pra dizer obrigado aos meus queridos dicionarios portugues-italiano, meus amigos Paulo Roberto e Aline. Um servico assim particular, generoso, personalizado eh relamente algo belo e digno de agradecimentos mil. Voces me ajudam a estreitar relacionamentos com quem eu conheco e gosto na Italia. Registro, entao, que os acertos dos posts escritos em italianos sao merito destes dois seres maravilhosos. Os eventuais erros e equivocos tambem sao obra deles (hehehe). Meus queridos, minha gratidao eh como Roma, eterna...

C'est si bon de partir n'importe ou (IV)

Rodin... que intensidade, que paixao e, claro, que beleza. Confesso que vivia com um pe atras em relacao a Rodin por causa de minha amiga Camille. Fazer o que, ne? Mas passear naqueles jardins e quase tocar tanta forca (com cedilha), tanto movimento feito materialidade...eu tive que me render. Quando eu digo quase tocar eh quase mesmo, mas tinha gente pegando, tinha crianca esfregando a mao, uma esculhambacao comparado com o Louvre. Serio, la parecia a casa da mae Joana, no bom sentido, no melhor sentido possivel. La, todo mundo se sentia a vontade. A arte ali era quase trivial. Natural. Ainda mais que hoje era visita gratuita, entao tava cheio de parisienses com netos, filhos, uma festa. O pessoal falava alto, era coisa bonita de se ver e de se ouvir. Domingo em Paris eh coisa realmente digna de nota. O mais fascinante nao eh a grandiosidade dos monumentos mas o encantamento do "mei" da rua. Criancas de patinete, skates, bicicletas, maes correndo atras de meninos reincidentes, avos sentados nos bancos a pastorar os netos, pessoas e mais pessoas visitando museus, exposicoes, gente fazendo fila na porta dos cinemas. Hoje foi especial. Bati perna pra caramba, entrei na maior cara de pau na Louis Vuitton, fiz compras na Champs-Elysees, deitei e rolei com meu mapinha. Andar de onibus aqui eh um espetaculo. Um dia escrevo so sobre isso. Voltando a Rodin, devo dizer que conhecia as obras classicas de ilustracoes, fotografias, etc e devo confessar que nenhum destes registros faz justica ao talento do moco (com cedilha, tambem). Estou muito feliz de ter tido esta experiencia. Feliz de sentar em uma praca e escrever num caderninho pra minha amiga. Feliz de ver pombos em revoada. Feliz de ver uma pontinha de azul num ceu cinza. Feliz de ouvir vozes em frances, japones, italiano todas em alegre deslumbramento. Feliz de passear em um onibus que anuncia paradas e avisa em quanto tempo se chega ao destino. Feliz, feliz, feliz. Feliz em Paris, em Roma, em Veneza, feliz dentro de mim.

Anche Parigi e il Massimo!!!

Per non lasciare i miei amici Italiani (cioè, tu!) senza notizie appropriate, questo "post" va anche in´Italiano. Parigi è diverso di tutto quello che ho vissuto fino adesso, perchè è un sogno nutrito per scenari cinematografici e figure letterarie come Simone o Marguerite Duras. Parigi è discreta. Chic. Elegante. Caratteristiche che non sono proprio mie ma che sò ammirare, con gioia. Ho scrito in un post precedente (troppo brasiliano) che se L´Italia mi ruba l´aria (e alle volte i piedi del piano), Parigi mi ruba le parole. Il piacere di essere a Parigi non è quello di ritrovare un´amico antico, ma quello di conoscere qualcuno che da molto si ammira. Parigi è serena, silenziosa, la bellezza si mostra sottile nei piccoli dettagli. Ed i miei occhi si fissano a vagare nei dettagli più semplici, sperando di non perdere nulla e potere dividere la magia, la bellezza e il piacere con te. Volevo, con queste memorie, condividere un pò la gioia e, chissà, farti felice e confortevole come m´hai sempre fatto. Baci brasiliani direttamente da Parigi....

sábado, 6 de fevereiro de 2010

C'est si bon de partir n'importe ou (III)

Hoje estava saindo fumacinha da minha boca e nao, eu nao estava fumando. Frio mesmo. Paris estava cinza, com nuvens tao pesadas que se arrastam e quase tocam o topo das arvores. E ainda choveu. Como boa cearense, devo dizer que o tempo estava lindo. Ontem ceu azul, sol e tal. Mas hoje, cinza, cinza, eu amei. Os ombrelli coloridos pra la e pra ca, contrastando com a elegancia e sobriedade dos tons marrons e beges mais comuns nas roupas e echarpes...uma beleza. Hoje passemaos de onibus. Pra la e pra ca, so pelo prazer de ver Paris. Caminhamos, tambem, claro. Muito, pra variar. Galeria Lafayette, Igreja da Medalha Milagrosa e outros lugares interessantes e nao tao turisticos. Alem disso, lojas e lojas, chics, finas, glamourosas. Prada, Cartier, Versace...inumeraveis templos do consumo de elite. Finalmente consegui um mapa e vou comecar a estuda-lo agora. Paris tem uma peculiaridade, fico feliz de estar aqui, simplesmente pelo fato de estar aqui. Nao preciso ver muita coisa, fazer muitos registros. Basta um croissant, um quiche, uma echarpe ao vento, uma olhadinha na torre e voila! a felicidade. Ontem cogitei seriamente em vender tudo e passar a vida vendendo tangerina por aqui, mas ja voltei ao meu normal. Lamento que aqui nao tenha uma Fontana de Trevi em que eu possa esparramar moedas que trabalhem pra garantir meu retorno. Bom, farei isso eu mesma. E, enquanto isso, eu devo dizer que a vida eh o Massimo ateh em Paris...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

C'est si bon de partir n'importe ou (II)

A primeira coisa a dizer eh que o casaco que estou usando combina com Paris. Bege. Paris eh silenciosa. Ou melhor, educada. Acredito que se buzine por aqui, alguem xingue, de risada, copos caiam, sei la, tudo isso deve acontecer, sao coisas comuns, proprias de onde mora (muita) gente, mas aqui nao se ouve nada disso. Aqui se sussurra. Pelo menos, eu sussurro (ou tento). Aqui os turistas parecem pedir licenca o tempo todo por estar fotografando, ferindo o bom gosto com sua sede de registros. Aninha pensa que nao estou gostando, porque estou contida em minhas demonstracoes de prazer. Eh que to sentindo tudo pra dentro. As borboletas nao estao nos olhos, estao no meu juizo. Se a Italia me tirava o folego (e, as vezes, os pes do chao), Paris me rouba as palavras. O prazer de estar em Paris nao eh o de reencontrar um amigo, eh o de conhecer alguem que se admirou por muito tempo. Como se eu conhecesse, sei la, Clarice ou Marguerite Duras...com certeza eu ficaria em silencio um tempao procurando a frase mais perfeita pra impressiona-las (e aih, claro, talvez perdesse a oportunidade de dizer qualquer coisa) - um parentese: fico muito arre egua sem acentos, parece que nao digo exatamente o que quero enunciar, fecha parentese. Voltando a Paris. Duas vezes ja descrevi Paris hoje, essa serah a terceira e, a cada vez, fico mais imprecisa, mas tentarei mesmo assim. A beleza de Paris eh como a de Monalisa. Aprisiona o olhar. Voce fica encafifada tentando explicar a si mesma porque nao consegue olhar pra outro lugar, porque nao consegue desejar outra coisa, porque nao consegue sequer pensar em se mexer. E, quando finalmente voce desvia os olhos, voce tenta e tenta descrever o que era que voce estava achando tao bonito e nao consegue. As palavras brincam de esconde-esconde com sua lingua. Voce fica na maior peleja e tudo que consegue dizer eh que eh realmente lindo e tudo que voce quer eh olhar um pouquinho mais. A beleza de Paris, a completa beleza de Paris so se ve estando aqui, so se ve com o corpo todo. Este voce, entenda, sou eu. Outra pessoa pode sentir totalmente diferente, pode se sentir em casa, sei la. Eu me sinto respeitosa, pois tudo que sei eh de ouvir dizer e quase sempre dito por quem nao podia, mesmo, apresentar corretamente Paris (os americanos, ou melhor, seus filmes). Sinto-me, tambem, feliz por encontrar tanta gentileza entre os habitantes/trabalhadores de Paris, do taxista a vendedora de paes e demais gostosuras, do vendedor da banquinha de fruta ao garcon do hotel, todo mundo foi muito gente fina comigo. Hoje fomos ao Louvre. Passamos 05 horas andando pra la e pra ca e se eu dissesse que senti o tempo passando seria a maior mentira. Senti, depois, os pes doendo, claro. E a cabeca tonta de tanta informacao e arte. Vi o basico (Monalisa, Venus, Vitoria de Samotracia e tal) e vi o plus, o a mais que o Louvre pode oferecer. Entre estes ultimos, a iluminacao noturna do museu. Que maravilha! Que delicadeza! Aqui tudo eh tao fino que as lembrancinhas nao caem bem. Fica tudo excessivo, vejam so, um brinco com a torre pendurada. Alias, a Teh (minha amiga torre) nao para de me mandar convites, insinuacoes, nao para de fazer promessas. Ela eh onipresente nesta minha viagem. Saih sozinha pra dar uma volta noturna e me ambientar (nao adiantou muito pois ainda estou sem mapa), mas ja fiz compras que eh pra ir me aprochegando. Devo acrescentar o obvio: Paris eh sua luz. A iluminacao faz muita diferenca. Tudo fica suavemente vivo. As mulheres sao elegantesimas, alias, elegantes, pois os excessos nao sao apropriados por aqui. Os homens sao passaveis. Enfim, continuo no estilo Piaf, mas terei que ser do contra, la vie non et pas rose, la vie et le beige.