segunda-feira, 29 de maio de 2017

Molotov, com gelo

Recomeça a semana, redobro a atenção: vamos ficar de olho nas reformas, gente.

Andaram me cobrando uma postura mais clara, incisiva, militante, etc. Olha, eu achava que era óbvio, mas se não é, esclareço: eu sou miúda. Não sei do movimento das grandes placas tectônicas. Não sei os nomes, as ligas, os rumos, as possibilidades, os detalhes escabrosos, a variedade de análises, as informações imprescindíveis. Eu só tenho aquela bússola no peito (e é bom porque aí ocupa o lugar que o ausente coração deixa vago). Ela serve pra mim. E só pra mim. Muitas vezes nem sei explicar direito porquê, apenas sei pra onde ir (o que, claro, muitas vezes me faz parecer sabida, a galera chega depois das reflexões e eu já estou lá. Mas não, eu não pensei mais rápido. Eu apenas não pensei).

Ou seja: eu tô por fora mesmo.



Como a gente sabe pra quando solicitar as férias se não tem nem idéia do calendário letivo?

Acho que o que dá a exata dimensão das minhas limitações é: eu não faço massa em casa.

Eu sinto falta de sentir sua falta.

A verdade é que eu tenho muita preguiça. Inclusive de sofrer. 

Eu fico meio perplexa com as pessoas que querem utopias sem lidar com os dados da realidade. 

Eu tenho uma certa inveja de quem só percebe no depois. Tenho a impressão que fica um resto por usufruir. Eu era feliz e sabia. 

sábado, 27 de maio de 2017

Prioridades

Eu deveria juntar dinheiro para:
Uma coberta no quintal
O escritório
Um tapete
Vasos, plantas, dar um trato no jardim da frente
Box nos banheiros
Aliás, dar um trato geral nos banheiros
Ventiladores
Uma horta
Um óculos
Um tratamento caro pra rosácea
Uma máquina de lavar louça
Colocar moldura nos quadros
Pagar as dívidas antigas
Pagar as contas de todo mês
Um filtro

Eu só penso em: viajar.

***********
Daí teve a matéria sobre a escola que faz tudo, etc. E o que ficou pra mim foi uma suposta dicotomia entre tempo de qualidade X fazer coisas cotidianas como cozinhar, cortar a unha, ir ao supermercado. Eu não vejo dicotomia entre as duas coisas, pra mim a qualidade do tempo não está no que se faz, mas no como. E ainda acho que coisas como cuidados pessoais e alimentação são dos “o quês” mais relevantes em termos de conteúdo também. Poucos momentos me davam mais alegria que cortar as unhas do meu lobisomem de estimação ou cozinhar linguiça com batata pra nós enquanto ele desenhava na mesa da cozinha. 

E não, eu não acho que as mães tem que fazer coisas. Nem que mulheres tem que fazer coisas. Eu suspeito que pessoas que fazem coisas básicas do viver constroem vínculos. Eu acho que relações são construídas. Inclusive com crianças. Os laços não estão dados. Também acho que estas crianças serão adultos que precisarão cuidar de si mesmas. Enfim.

Penso que há uma diferença enorme entre coletivização do cuidado e mercantilização do mesmo. Então eu sim: creches públicas. Eu não: professores sendo babás.

Com certeza o mundo é feito de gente muito mais interessante que eu. Nem consigo imaginar porque alguém, filho ou não, de qualquer idade iria queria passar muito tempo - de qualidade ou não - comigo. 

Falando em tempo, ficar junto, máquina fotográfica, etc. eu fico pensando que, apesar de não ser muito de "e se", tem muita coisa não acontecida que podia ser feliz. 

*********

Uma certeza sobre mim: eu nunca serei namastê-natureza. Uma das coisas que eu mais gosto na humanidade é que a gente transforma o mundo. Enfia o pé na jaca muitas vezes, mas que bonito que o Davi é. 

Eu sempre fui meio empurrando a vida com a barriga #ZecaBaleiroFeelings. Nunca suspeitei que havia um jeito certo. Um modelo. Uma pauta para ser, o que quer que fosse, a não ser do meu próprio jeito. Hoje, 40 e tantos nos couros, fico contente de ter sido assim. Deve ser difícil viver achando que se devia fazer mais. Ser mais. Ser melhor. 

E sobre o quadrinho circulante só posso dizer: Almir, melhor em tudo. 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Molotov 3

Apesar dos estudos sérios que poderiam servir para justificar porque a internação compulsória é ineficaz, eu nem entro neste mérito... O fim nunca pode justificar o meio. Internação compulsória é violência. É anular o Outro como sujeito. Ponto.

Privilégio é aquele conceito pelo qual você tem simpatia, podia até usar com mais frequência, mas tem medo de ser confundida com quem consegue transformá-lo ora num vazio absoluto, ora numa bobagem inominável.

Eu sou daquele grupo que acha o sistema penal uma bosta de forma absoluta e, no que se refere aos usos no Brasil, uma aberração. Mas tem situações que ficam além do que é possível de comentar. Uma mulher rouba uns ovos de páscoa e tem pena maior que os réus do Lava-Jato (pra ficar na bola da vez). Uma mãe. Ovos de Páscoa. E aí um juiz (cês viram o vídeo do Gregório Duvivier, né), um ministro do STJ diz que não dá pra usar o princípio da insignificância pra esse “crime”.  Diz que não dá pra dispensar um roubo desse. E manteve uma mãe de 4 filhos em regime fechado. Ovos de Páscoa. Uma mãe (e bato nesta tecla porque, né, somos aquela sociedade que acha que é sofrer no paraíso e tal). E estamos aí gritando que há muita impunidade e queremos prisões mais cheias. Pode bater em manifestante, mas não pode quebrar vidraça nem roubar ovos de páscoa. Bens materiais devem ser protegidos. O patrimônio de alguém vale mais que pessoas.

Vamos transformar o mundo, mas sem vandalismo, gritavam os passa-pano na frente da bastilha.




Uma amiga vai pra Lisboa. Dou uma xeretada em acomodações pra ela. Outra pra Espanha, fuço hotéis em algumas cidades de lá. Espio fim de semana em canoa quebrada. Outra vai pra Santiago, lá estou eu dando uma mão. Buenos Aires. Aproveito e olho preços em Florença (meu aniversário de 50 anos) e em algumas cidades no Peru (viagem das irmãs, daqui a una anos). Começam a aparecer propagandas de hotéis, pousadas, vôos, pacotes turísticos, para lugares específicos. Até que o algoritmo cansa e me manda: "Precisando de férias? O Airbnb tem mais de 3 milhões de acomodações em todo o mundo. Encontre a ideal para você" (e acrescenta mentalmente, aposto: sua indecisa).

Eu gosto muito de quem eu gosto, mas tem hora que eu penso que se eu não conhecesse algumas pessoas eu teria uma opinião melhor sobre mim.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Molotov 2

Nunca foi pra todo mundo.
Eu sei, você sabe.
Mas a luta é
a) pra ser pra todo mundo ou
b) pela igualdade, se não é pra alguns que seja pra ninguém?
#confoooosa

Internação compulsória. Chacina no Pará. Demolição de prédio com gente dentro. Exército na repressão. E a manifestação pela manutenção de direitos é que é violenta e deve ser censurada. Pois bem.



Alegria na vida é recomendar Handmaid´s Tale e Big Little Lies pra suas alunas e elas já estarem acompanhando.

Acho que quem gosta de ver as coisas arrumadas devia gostar também de arrumar. Quase dois anos em casa e o quarto dos livros ainda tem caixas por abrir.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Molotov



Gastei a foto antes do tempo. Hoje Brasília pegou fogo de verdade.

E sim, é pra protestar, queimar, quebrar. Revelar a insatisfação. E não, não é igual a reação da polícia. Não dá pra comparar vidros quebrados com ossos.

E dez pessoas foram mortas pela Polícia Militar no Pará. Quantos Eldorados ainda iremos chorar?

Forças Armadas na Esplanada do Ministério. E a certeza de que os que confrontam, resistem, lutam, protestam, apanham, o fazem por todos nós.

Pessoas indignadas com a “quebradeira” de coisas em Brasília enquanto o Prefeito de SP manda derrubar um prédio com pessoas dentro. 

Não adianta chamar de confronto. Não adianta tentar culpar os "vândalos". Nós não aguentamos mais o descaramento de quem narra uma realidade inventada para suprir necessidade dos poderosos.

Há vidas que valem menos que vitrines, neste Brasil brasileiro. 

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Dizem que todo professor é narcisista. Que bobagem. Não ligo pra plateia. Não ligo de ser homenageada ou não nas colações. Não contabilizo o número de inscritos nas eletivas. Etc. Etc.Etc. Até que chegam os pedidos de orientação. Não é só não conseguir dizer não. É que eu me derreto.

Viver em condomínio é ter que aguentar reunião que as pessoas não sabem conduzir sobre coisas tão absurdas como contratar ou não vigilância armada. Dessa vez foi não. Não sei por quanto tempo será. 
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