domingo, 27 de julho de 2014

Eu, Medieval

Eu sei que a Idade Média não é o período mais exemplar no que se refere a uma porção de coisas que me são caras, indo de direitos humanos a eletricidade. Mas. Pois é. Os filmes. Os livros. Se você resistiria, é bem mais forte do que eu. Então eu fui: Feira Medieval de Óbidos.

Óbidos tem muralhas, um monte de casinhas fofas na vila e uma castelo. É tão linda que virou presente de casamento. Você aí pensando em flores, chocolates ou jóias e tinha gente e ganhando uma cidade, rá.

E a feira, como é? É divertida. Intensa. E envolvente. A Karen, brincando, apontou pra uma tenda e perguntou pro moço que estava lá fazendo as vezes de ferreiro se era a dele. E ele, não, não a minha é aquela – e apontou pra outra. Ela não acreditou... você fica aí? E ele: eu moro aí no período da feira. Sensacional. E o cheiro? Chouriços, porco, pão... e tem as barraquinhas dos doces conventuais. Um monte pra fartar quem é mais do açúcar. E as cervejas artesanais. E hidromel (que tem cheiro de cachaça pura daquelas que você respira e cai bêbada mas o sabor é bem mais suave). E várias coisas que me fizeram rir a toa: espadas e machados e escudos e falcões. E música. Animadíssima.

Foi um dia daqueles pra lembrar carinhosamente e como não confio na minha memória tenho um monte de fotos...

Eu, toda guerreira
Os moços na vibe
Em boa companhia
As moças, animadíssimas
Fazendo pose




Divertido mesmo


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Dos Ralos

Eu andei sumida. Algumas pessoas perceberam isso no que costumamos chamar realidade e foram gentis o bastante pra me procurar. Mas nem é exatamente desse sumiço aí que se trata. Eu andei sumida em mim. Sabe aquele grupo de coisas mais ou menos estável que a gente se acostuma a chamar de “eu”? Pois é, esses parangolés andaram sei lá por onde, só sei que não era aqui. Eu espiava “dentro” de mim e não encontrava nada familiar. Não encontrava o riso fácil. Não encontrava a pollyana. Não encontrava o mar, o café, a manga escorrendo no queixo. Não encontrava nem a vontade de cozinhar. Só encontrava o que, na ausência de uma palavra melhor, vou chamar tristeza. E eu nunca aprendi a ser triste. Claro que já fiquei triste, já perdi gente querida, já briguei com namorado, já senti saudade da família, já tanta coisa. Mas essa era uma tristeza diferente. Uma que eu não encontrava palavras para a dizer. E se não digo, engasgo. Mal conseguia respirar e só esperava que um dia acabasse, mas sem começar o outro, sabe como é? Só queria dormir, mas não conseguia dormir. E não era nada com a vida. Como eu escrevi pra gente querida, a vida estava bem, eu que não estava bem nela. Foram dias de silêncio e alguma dor.  

Mas eu sempre gostei do Vinícius sussurrando que “é melhor ser alegre que ser triste” (e como o mundo às vezes rima com nosso bem querer, hoje uma amiga querida disse-me exatamente isso) e me preparei pra emergir. Repetindo vezes e vezes, até quase me convencer: vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem. E aí, entre tantas coisinhas miúdas que fui incluindo na lista do “save Luciana” resolvi fazer panqueca. Massa pronta, frigideira no fogo, essas coisas todas. E aí o liquidificador virou. Virou nada, despencou no chão. Sei lá como não quebrou. O que eu sei foi que ficou assim:



E, né. Eu tinha que rir ou chorar (porque, além disso, tinha que limpar, nesse aspecto não tinha escolha). E escolhi rir (e tomar banho de chinela e tudo, porque, olha, eu tava uma meleca só). A bem da verdade, acho que o riso me escolheu. Ele veio vindo, veio vindo, voltando pro lugar de sempre, sacudindo o corpo, ecoando dentro e fora. E é isso, amiguinhos. Não sei se a tristeza vai toda embora, mas vai precisar se espremer num pouquinho porque “eu” estou voltando pra mim. E eu sou espaçosa pra caramba.

Então, esse post todo é pra dizer: sobrevivi. E mais: obrigada a cada um que perguntou por mim, que me cutucou, que me marcou nas publicações, que disse meu nome. Vocês me saberem me mantem viva, me mantem eu. Ah, bom, é pra dizer, também: putz, que dureza viver sem ralo.


Te amo, Negão!

Hoje ele é pai. É marido. É contabilista. Hoje ele é amigo de uma porção de gente que vai à casa dele pra rir e jogar e sentir-se acolhido. Hoje ele trabalha. Pedala. Cozinha. Faz até baião de feijão verde! Hoje é moço sabido que sabe das contas. Que sabe das coisas. Que sabe cuidar. Hoje ele é tanto e tudo que ele foi sendo eu amei e amo. Mas mesmo sendo tanto e tudo, pra mim, em mim, de vez em quando, ele é aquele menininho na motoquinha embaixo do carro que eu nunca sei se quero sacudir ou abraçar bem apertado por causa do susto. Ele é meu irmão.

Um irmão deve ter histórias pra contar e contá-las, de tal forma, que não nos dê vontade de sair de perto, de olhos e ouvidos arregalados, mas também nos incite a querer vivê-las, todas, de fato e logo. Um irmão deve incomodar, aperrear, implicar com a gente. E deve nos dar aquela sensação de que estamos bem e protegidas. Um irmão deve desbravar caminhos e, ao mesmo tempo, vir na retaguarda. Eu tenho o irmão que eu quero ter e que é justinho assim, entre outras coisas. Porque ele é lindo. Muito lindo. Meu irmão me faz rir.  Ele tem o pensamento mais rápido do Oeste. E do leste também. Ele cuida, sem parecer que. E é tão bom abraçá-lo, parece que estou chegando em casa, sempre. Não uma casa qualquer, mas aquela pela qual percorremos a estrada de tijolos dourados e batemos os sapatinhos vermelhos. Meu irmão sabe calar, quando preciso. E ele se lembra de tudo, sempre. Meu irmão não estava antes e, quando chegou, fez tudo que devia fazer: me enterneceu, irritou, animou, comoveu, chateou, conversou, amou. E avida me é muito mais querida porque com ele.

Te amo, Negão. Feliz Aniversário!


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ave César

Eu sempre dependi da delicadeza de estranhos talvez seja a frase mais triste – e verdadeira – de sempre.

Quando a pessoa tem apenas dois assuntos e você não tem absolutamente nada a dizer sobre nenhum deles.

Eu misturo alhos com bugalhos. Eu quero o bônus sem o ônus. Eu construo castelos no ar. Mas. Pois é, não tem mas. Sou esse saco de gatos mesmo.

Não é gostar mais. É gostar por mais tempo, acho.

Dessa fruta eu como até o caroço #TôMeGuardandoPraQuandoCarnavalChegar #SaudadesJamelão

Uma morte rápida ou uma longa agonia?

Imagina o tamanho da dor pra pessoa nem reparar que estava chorando.

Quando a gente não sabe o que fazer. Quando a gente sabe o que fazer, mas não quer. Quando a gente sabe e quer, mas não tem, por exemplo, grana ou tempo. Quando a gente sabe, quer, pode, mas tem medo de não segurar o tranco. Quando a gente não tem mais o que fazer. Quando, esse lugar onde moram meus fantasmas.



Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre”.

Ave, Ariano, os que vão morrer sem tua verve e pena, te saúdam.

Deve ser morrer, né, quando toda a existência dói e a gente não lembra direito como é que se respira.



quarta-feira, 23 de julho de 2014

O que é o amor

Sabe aquela história, "eu não, mas conheço alguém que...". Pois é, minha irmã. Inteligente. Trabalhadora. E qualificada. Não tenho nenhuma dúvida que a tese dela vai ser sensacional porque, bom, ela é sensacional. E nem digo isso por causa do amor. Que sim, existe. Amor de café com pão, melhor amor.

"Já não sei se hoje é ontem ou amanhã". Nem eu, tia, nem eu.

A gente vai ali, pensa que volta logo, pensa que é um respiro, pensa que é um pequeno vão. E escava abismos. 

Status: arremessando inúteis garrafas ao mar.

Eu preciso de: 
- um tempo,
- dois sutiãs novos,
- uma pele mais grossa,
- sorvete de graviola,
- uma viagem curta,
- um abraço longo,
- um mouse que funcione,
- cortar o cabelo,
- uma máquina de café,
- coragem,
- trinta páginas de metodologia,
- um coração. Pode ser usado, baqueado, mêi sambado. Se tiver batendo, tá valendo. 

Nem fome, nem vontade de comer. Metafórico, claro.

O amor, como a verdade, não há palavras para o dizer todo. Mas quando eu voltar pro divã, levo comigo uma imagem. O amor, ou ainda, o que o sustenta e inscreve em mim, em P&B:

Antônio Arissa, The Kiss, 1930